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7 razões para o bebé dormir bem

21.11.17
Antes de falar sobre como fazer para os bebés dormirem bem, a Carolina da Mau Maria – Parenting Coaching achou importante referir as razões porque devem dormirem bem numa ilustração simples e cheia de razões para esperamos pelas próximas dicas.


Obrigada Carolina, quem fala assim, sabe!
Podem acompanhar outras dicas aqui e aqui


mau maria parenting coaching by carolina quaresma

21.11.17
Há quem não acredite em coincidências...mas às vezes a vida encarrega-se de colocar pessoas no nosso caminho que nos fazem acreditar. E a Carolina Quaresma, é uma dessas pessoas. Numa fase que procuro mais que nunca o equilíbrio familiar, o sossego deste coração, a Carolina chega a mim... 

Com um primeiro objectivo de dar a conhecer o trabalho e dedicação da Carolina, proponho a partilha da história, vivência e experiências contadas aqui na primeira pessoa. Depois, irá surgir a oportunidade da Carolina partilhar connosco algumas dicas para que cada casa viva em harmonia e alegria. 

"Queridos Pais,

Sou a Carolina e nasci em 1986, numa pequena vila no centro de Portugal.

Em 2005 fui estudar para a Guarda, onde me formei em Animação Sociocultural, com o sonho de abrir uma Quinta Pedagógica. Animais,bebés, crianças e a minha família sempre foram as minhas grandes paixões. Ainda hoje.

Quando terminei, em 2008, o sonho mudou drasticamente e ir para a Austrália era um desejo muito forte. Posto isto, de malas e bagagens fui até Inglaterra onde vivi e pratiquei o inglês. Após um ano mudei-me para a Austrália, onde vivi por volta de 4 anos.

A mudança era inevitável e então decidi ir à busca de um outro sonho guardado na gaveta: voluntariado internacional. A ideia era Índia mas os contactos trocaram-me as voltas e acabei por ir parar ao Cambodja. Felizmente! 3 meses de aventura pela Ásia, com imenso enriquecimento pessoal. E assim se pautou a minha vida, muito resumidamente para não cansar, até há pouco tempo atrás. 

De regresso a Portugal, com o projecto Mau Maria – Parenting Coaching, desejo ajudar famílias a construir casas mais felizes e um Mundo melhor. 

Profissionalmente, comecei a trabalhar muito cedo e sempre com crianças nos mais variados contextos. Hoje conto com 14 anos de experiência com crianças e/com famílias. Absorvi durante todos estes anos imensa informação e conhecimento.

A Austrália foi sem dúvida um curso intensivo de experiências com famílias que me ajudou imenso na minha formação pessoal e profissional. Adicionalmente, trabalhei em famílias de várias culturas em Portugal, Inglaterra, e França.

À parte da licenciatura em Animação Sociocultural, formei-me também na Austrália em Early Childhood Education and Care e Business Management, e tornei-me Sleep Consultant, através duma formação certificada nos Estados Unidos da América.

Sinto que há uma enorme urgência e necessidade em ajudar as famílias a viver a parentalidade com menos culpa, menos ansiedade, dramas e medos.

Quer seja na introdução a rotinas de sono - Eat, Play & Sleep - adequadas para cada família e criança; quer seja na gestão de comportamentos - Respect: Love & Limits - com objetivo de colocar fim às faltas de respeito por parte dos filhos com os pais: é minha missão tornar as famílias mais felizes, com laços fortes de respeito através do equilíbrio entre Amor e Limites.

Estou inteiramente disponível a deslocar-me a outros países para cumprir esta missão.

É minha convicção que os filhos vêm para nos acrescentar! 

Encontramo-nos em breve,

Carolina


Depilação a Laser #3

26.4.17
"Depilação a laser no verão… com Centros Único, é possível.

Em Centros Único somos especialistas em depilação a laser de díodo também no verão, graças à utilização de equipamentos de última tecnologia que garantem os melhores resultados como o Lightsheer Duet e o Omnia Lumen, sempre com a máxima segurança.

Mas… Porque é que o nosso laser pode ser usado no verão e em peles bronzeadas?

Com os equipamentos Lightsheer Duet e Omnia Lumen, graças ao seu sistema de refrigeração é possível. Isto é porque quando a pele é muito escura ou está bronzeada, gera muito calor. De facto, o laser não deixa de ser uma luz que quando chega à pele se transforma em calor, por isso, até agora os lasers não têm sido compatíveis com o sol.

Os nossos lasers trabalham a micro pulsos, ou seja, a luz sai do “spot” (manípulo) em disparos intermitentes (o resto dos lasers transmitem a luz para a pele de forma contínua e por isso a pele aquece mais), desta maneira conseguimos que a pele se refrigere entre disparo e disparo.

Nesta sequência asseguramos uma absorção mais controlada minimizando o aquecimento da zona a tratar, sendo igualmente efetivos no tratamento.

Não obstante, sempre haverá que seguir umas recomendações estabelecidas para o tratamento e que serão indicadas pelo profissional que o realiza:

-Não apanhar sol nem fazer solário durante uma semana antes e outra semana depois da sessão.

-Também não se deverão utilizar produtos auto bronzeadores neste mesmo período de tempo.

-É muito recomendável utilizar cremes com fator de proteção solar e na zona facial deverá ser utilizado um creme com fator de proteção solar mais alto possível (SPF50).

O seguimento destas orientações é fundamental para garantir a efetividade do tratamento."

Podem consultar toda a informação aqui

Workshop Amar Amamentar - Bebés da Praça

5.1.17
Sem dúvida que os melhores momentos que tive com eles em bebés foram passados naquele momento só nosso, a amamentação. Mas sabendo que também podem ser momentos difíceis, de dúvidas e de alguma (muita) dor à mistura, partilho convosco o workshop sobre amamentação que a Bebés da Praça está a promover com a enfermeira conselheira e especialista Júlia Duarte. Façam a vossa inscrição! E bons mimos!




Mãe a 100% ?

27.7.15
Ser mãe trabalhadora não é ser mãe a tempo inteiro?

Confesso que por vezes fico um pouco irritada com esta mania de se rotular as coisas e sobretudo as pessoas.

Depois de toda a revolução sexual do século passado, depois da luta das feministas, depois de tantas mudanças na vida das mulheres e por via disso na sociedade, muito me espanta que atualmente haja uma certa condenação (implícita em opiniões, comentários e até atitudes) das mães que trabalham fora de casa.

Concordo que se condenem os exageros e as mães que negligenciam os filhos em prol de uma carreira profissional (ou em prol de qualquer outra coisa), pois considero que se não estamos dispostas a abdicar de um ritmo de trabalho intenso, não podemos tomar a decisão de ter filhos.

Se optamos por ter filhos temos que lhe dar o que eles precisam: atenção, carinho, tempo…no fundo ser Mãe!

Ora, por outro lado conheço muitas mães que embora trabalhando em casa, ou não trabalhando de todo, nada disso dão aos seus filhos.

Por isso, me custa ouvir que uma Mãe que Trabalha Fora de Casa Não É Mãe a Tempo Inteiro!

Defendo que não devemos generalizar.

Cada mãe é mãe à sua maneira, de acordo com a sua forma de ser e de estar e de encarar a maternidade, nada tem a ver com o facto de trabalhar em casa ou num alto quadro de uma grande empresa!

No meu caso, trabalho fora de casa (e bastante em casa também!!!) e considero-me uma mãe a tempo inteiro!

Mesmo nos dias em que trabalho 12 horas sou mãe a tempo inteiro!

Melhor dizendo: Nunca Deixo de Ser Mãe!

Desde que o meu filho nasceu não houve um segundo que seja que eu tenha deixado de ser MÃE!

Não é um estado de espírito ou uma profissão, é algo que passa a fazer parte do que somos de forma permanente.

Em todas as circunstâncias o meu papel de mãe está sempre presente em paralelo com todos os outros papéis que assumo e é perfeitamente compatível com todos!

Mesmo trabalhando fora de casa tenho tempo para o meu filho!

Tenho de abdicar algumas vezes de horas de trabalho (e por vezes da remuneração correspondente), é certo, mas é uma opção que faço de bom grado!

Outras vezes tenho que abdicar desse tempo com o meu filhote em prol de compromissos de trabalho mais urgentes ou de todo inadiáveis.

Contudo, mesmo nesses dias o pouco tempo que passo com ele é tempo de qualidade, recheado de atenção, mimo e por vezes castigos também (mesmo estando pouco tempo com eles não podemos permitir que quebrem as regras que queremos que aprendam e assimilem) .

No fundo o que quero dizer é que é possível sem uma boa profissional sem deixar de ser uma boa mãe e sobretudo uma mãe presente.

O segredo é saber equilibrar as coisas!

Se me perguntarem se gostaria de estar todo o dia com o meu filho desde momento em que ele nasceu até ele ser um pouco maiorzinho, eu diria que sim.

Mas não quero abdicar de uma carreira profissional, pois gosto do que faço.

Por outro lado, as crianças também precisam ganhar a sua independência desde cedo, precisam de estar com outras pessoas, com outras crianças.

Para além disso, há ainda o futuro…

Os nossos filhos não vão ser pequeninos toda a vida!

Com muita pena nossa, mas não vão!!!

À medida que crescem vão deixando de precisar de tanto tempo nosso até que chega a um ponto em que voam do ninho para construir sua vida!

Acho que os filhos precisam das mães (e dos pais) para sempre, falo por mim!

Mas à medida que crescem deixam precisar tanto do nosso tempo, atenção e dedicação.

Como fica uma mãe que abdicou da sua profissão?

Sabemos bem que nos dias de hoje não é fácil voltar a entrar no mercado de trabalho. E mesmo que consiga regressar, vai estar num nível muito abaixo do que estaria se tivesse continuado a trabalhar.

Inevitavelmente, e por vezes até de forma inconsciente, esta mãe vai sentir-se frustrada, fracassada até!

É possível que se sinta sozinha no seu dia-a-dia, e diria até vazia!

Qual é o seu objectivo, quais serão as suas tarefas?

Este excerto retrata essa mãe:

“Hoje, a Lara é adulta, alugou uma casa e vive com amigos. Tem um namorado, trabalha como enfermeira, é feliz, saudável e alegre.

Hoje acordei e pensei: «E eu? Quem sou eu?»

Continuo a ser mãe, mas já não sou mãe a tempo inteiro. Isso deu espaço para pensar no resto que foi indo com o tempo em que era mãe a tempo inteiro. Deu espaço para mostrar o que fui adiando ou eliminando, pelo encanto e dedicação exclusiva ao desafio da maternidade. Hoje, acho que me esqueci de mim. Hoje, a Lara diz-me para eu me arranjar, pensar mais em mim e investir em coisas que me interessem. Não sei como se faz, tenho receio, acho que já é tarde, já não me conheço, nem conheço quase ninguém, nem mesmo o Rafael.

Hoje, penso que, se voltasse atrás, agarrava da mesma forma especial o desafio de ser mãe, com orgulho, dedicação e empenho, mas não largava tudo o resto.“

Texto incluído no livro A Psicóloga dos Miúdos – Guia Prático para todos os pais


Ser MÃE é a maior benção que a vida nos dá!

Mas não podemos anular as outras facetas da nossa vida.

Não podemos esquecer o resto da família, a nossa cara metade, os amigos nem a nossa profissão.

Não devemos deixar de ser a pessoa que éramos até sermos mães, pois mais tarde poderemos pagar um preço demasiado alto.

Devemos acrescentar a essa pessoa que éramos esta qualidade maravilhosa que é ser MÃE e tanto nos enriquece.

Quanto mais felizes formos mais felizes serão os nossos filhos!

Os nossos filhos merecem mães equilibradas, realizadas e sobretudo FELIZES, tenham ele 1 ano ou 30 anos!!!

Por isso uma das minhas missões é continuar a trabalhar neste equilíbrio, uns dias mais conseguido que outros, não só na minha vida, mas também na vida das pessoas que integram a nossa equipa.

Texto de Rita Cerejo

UPS! Vem aí um mano!

14.6.15
Imaginemos que passamos dias, meses ou mesmo anos a construir castelos na areia e, de repente, vem uma onda e leva tudo a frente… Para algumas crianças é exatamente isto que acontece quando realizam a chegada de um novo membro da família, que nunca viram (um estranho, portanto) e com quem lhes é pedido que partilhem a casa, a atenção, os brinquedos, as roupas e, muitas vezes, o próprio quarto. Ao constatarmos que somos feitos de hábitos e rotinas e que todos nos sentimos afetados quando alguma coisa foge do nosso controlo, não será difícil perceber que, quando não trabalhada, a chegada de uma criança possa também trazer ao mundo alguns desafios. As dificuldades de aceitação/ adaptação do filhos mais velhos, medos, ciúmes e chamadas de atenção nem sempre subtis (como as birras e comportamentos agressivos) e outros comportamentos regressivos (como o descontrolo dos esfíncteres, falar infantilmente, reclamar de novo a chupeta ou voltar a dormir na cama dos pais etc.) são alguns desses exemplos. O ciúme é um sentimento mais do que natural, com funções e objetivos específicos, que se manifesta de uma forma mais intensa por volta dos três anos. Por esta altura as crianças começam a descobrir que não são o centro do mundo e reconhecem a existência do "outro" para além delas próprias e que esse "outro" pode desviar a atenção daqueles de quem mais gostam. O sentimento de posse faz parte do comportamento egoísta do ser humano (“Tudo é meu!”). No entanto, pode também estar relacionado com a baixa auto-estima e a insegurança. É geralmente despoletado por pensamentos negativos que antecipam, neste caso, a chegada de um bebé. A competição estará sempre presente ao longo da vida e aprender a lidar com ela, desde cedo, irá facilitar o processo de enfrentamento de algumas das emoções negativas associadas. Ensinar a compartilhar e a dividir deve fazer parte do processo educativo e da aprendizagem da criança bem como clarificar os diferentes papéis no contexto familiar, promovendo o sentimento de pertença da criança. E como é que isto se faz?

· Prepare a criança para a chegada de um bebé
No período que antecede a chegada de um irmão, os pais devem partilhar com a criança as diferentes etapas da preparação para o nascimento do bebé: permitir que toque na barriga da mãe e a sinta a crescer, incluí-lo na discussão de questões relacionadas com o nascimento, envolvê-lo na decoração do quarto, das roupinhas, escolha do berço e até mesmo na preparação de um presente de boas vindas como por exemplo, um desenho que pode ser oferecido na primeira visita à maternidade. Este processo aumenta a perceção da criança de que permanece ativo na dinâmica familiar e de que é detentor de um papel realmente importante.

· Evite alterações na rotina simultâneas à chegada do bebé
Antecipe algumas das alterações que poderão surgir na sequência do nascimento de um bebé no que respeita a rotina habitual da criança. Alterações como quem vai levar ou buscar à escola, mudança de quarto ou a reestruturação de alguns hábitos devem ser entendidas como decorrentes de um processo de evolução natural e não como consequência da chegada de um irmão que compete pela atenção e amor dos pais.

· Reserve momentos especiais para estar com o seu filho
Ame cada filho à sua maneira e não todos da mesma maneira. Recorde a importância que a criança tem na sua vida, verbalizando sentimentos positivos associados à sua existência (“Preciso tanto de ti”; “Tens-me ajudado mesmo muito!” ou “Sem a tua ajuda tudo seria muito mais difícil”). Reserve momentos a dois com o seu filho e valorize o vosso trabalho enquanto parceiros nas diferentes tarefas que envolvem a rotina diária do bebé, delegando algumas tarefas. Quanto maior a cooperação maior o tempo que restará para usufruir de uma qualquer atividade planeada . Guarde tempo para alguns jogos, para ver um filme, uma ida ao parque e procure não falhar nos seus compromissos. Assim, a criança compreende que, apesar de existirem momentos em que terá de partilhar a atenção, também haverá tempo para alguma exclusividade.

· Reforce o crescimento do seu filho 
Elogie as novas aquisições e aprendizagens do seu filho (comer sozinho, dormir sozinho, falar corretamente) , valorizando a importância do seu papel na transmissão dessas aprendizagens ao mano mais novo e reconhecendo o seu esforço no alcance e concretização de cada etapa. Desta forma, será mais fácil para a criança compreender a evolução e o crescimento como motivo de orgulho e contentamento para os pais

· Evite atribuir demasiadas responsabilidades à criança
Apesar de existir um novo elemento na família, assegure todos os direitos do seu filho no que respeita a vivência de uma infância plena de oportunidades. Evite envolvê-lo em demasiadas tarefas e responsabilidades que muitas vezes resultam da dificuldade na gestão do tempo que tem disponível. Não exija mais do que exigia há uns dias atrás e recorde que, apesar de resilientes, todas as crianças precisam de pais coerentes e regras consistentes.

· Lembre-se que as lutas entre irmãos acontecem
Dê ao seu filho a oportunidade de desenvolver competências de comunicação e resolução de problemas eficazes abrindo espaço para a negociação entre irmãos e gestão da frustração, muitas vezes associada aos momentos de conflito. Acima de tudo, seja paciente. 

· Coloque limites
Assegure estabilidade e consistência em casa (limites consistentes, regras claras e rotinas previsíveis). Depois de dar atenção e reassegurar à criança que seu lugar está garantido, não se pode deixar manipular pelos desejos da criança. Com um limite firme, mas amoroso, transmita à criança a confiança de que ela é capaz de suportar a frustração de não ter atenção exclusiva. Isso será fundamental para o amadurecimento das relações de respeito e generosidade na vida social.

· Use e abuse da “Linguagem das Emoções”
Aceite a emotividade do seu filho, orientando e suportando o controlo das suas emoções. Fale sobre os seus próprios sentimentos e emoções e estimule a prática de um auto-diálogo positivo. Promova a “chuva de ideias” na resolução de problemas e conflitos entre irmãos e elogie o seu filho quando conseguir controlar-se sozinho. Mantenha hábitos positivos (otimismo, socialização, busca de estratégias conciliatórias para a solução de conflitos) nunca esquecendo que os comportamentos dos pais são frequentemente observados e imitados pelas crianças.


Recorde sempre a impossibilidade de fechar o coração para o que não se quer sentir, seja compreensivo e paciente. Adeqúe as estratégias às características e temperamento do seu filho, promova a qualidade de escuta ativa na família e, acima de tudo, dê tempo ao tempo.

Texto Dr.ª Carolina Costa
Clínica Psiquiátrica Dr. José Carvalhinho
Telm: 914912129

Um Psicólogo para o meu filho? Ora essa!

15.4.15
Na odisseia do desenvolvimento muitos são os pais que, num ou outro momento, sentem “perder as estribeiras”, não estar a “dar conta do recado” e chegam a desejar parar o tempo e, como num passo de mágica, apagar o que correu mal e reescrever uma nova história. 

“Onde é que eu errei?”, “Terá sido alguma coisa que eu fiz?” são questões que se colocam perante a perceção de que algo não está bem com o seu filho. Neste sentido, a ida ao psicólogo é muitas vezes encarada como sinónimo de fraqueza e incompetência, associada ao receio de transmitir uma imagem negativa da capacidade de controlo sobre o próprio filho e o seu comportamento (“O que é que os outros vão pensar?”; “Deve haver alguma coisa que eu ainda possa fazer…”). Não menos importante, neste ranking de receios camuflados, é o estigma social e o receio de colocar um rótulo na criança, o que coloca o psicólogo na lista de soluções de último recurso, quando “tem mesmo de ser” porque mais nada parece resultar… assim, um problema que, muitas vezes, até passava despercebido, ganha proporções significativas, borra-se a pintura e as dificuldades tornam-se muito mais difíceis de esbater! 

Mas, afinal, o que é ser bom pai?
O facto de uma família pedir ajuda significa que soube reconhecer a existência de um problema, identificá-lo e recorrer a apoio externo. A psicoterapia promove a observação do comportamento da criança, apoiando os pais na identificação das principais dificuldades e potencialidades dos filhos, num processo de adaptação contínuo. A aliança terapêutica, assente no acordo intercomunicadores (família - técnicos - escola), é por isso indissociável do sucesso da intervenção realizada. Neste contexto, o papel do psicólogo, engloba a transmissão de um reportório comportamental adaptado, de forma a que todos possam participar ativamente no processo de intervenção.

Principais sinais de alerta? 

- Atrasos ao nível do desenvolvimento normativo (ex. dificuldades no controlo dos esfíncteres);

- Alterações no comportamento alimentar e ritmo de sono;

- Isolamento e alterações de humor;

- Modificação de comportamentos por supressão, adição ou alteração (acontecimentos de vida significativos que provocam alterações no comportamento manifestado pela criança; comportamento desafiante; agressividade);

- Dificuldades de aprendizagem (desatenção, irrequietude, desorganização, fraca autonomia, dificuldades ao nível da leitura e da escrita)

Questões úteis para a avaliação do problema

Na avaliação da pertinência de recorrer ou não à ajuda de um psicólogo existem algumas questões de extrema importância que devem ser absolutamente consideradas:

- Há quanto tempo persiste o problema?

- Até que ponto a dificuldade sentida interfere com a funcionalidade da criança?

- O problema é esperado para a idade?

-Já foram esgotadas todas as estratégias para a resolução do problema?

- A criança respondeu bem a uma estratégia e depois o comportamento voltou?

- Aconteceu alguma coisa que possa ter motivado o aparecimento do comportamento-problema?

Qualquer problema aparente deixa de o ser a partir do momento em que não invalida o funcionamento global da criança quer ao nível da aprendizagem, quer ao nível das relações, quer ao nível do desenvolvimento global. É por isso que este conceito, no seu sentido mais lato, apresenta diferentes implicações, de acordo com a cultura, os hábitos e rotinas do meio envolvente. Neste sentido, importa testar a validade de cada dificuldade percebida, listar as perdas e os ganhos, para que se possa assumir estar perante um problema. No caso das crianças, todos estes critérios são facilmente respondidos já que, quando algo não está bem, tende a repercutir-se a nível familiar, escolar e no relacionamento com os pares. Quando estas dificuldades são persistentes, desajustadas e causam sofrimento significativo para a criança e os que a rodeiam, chegou a hora de intervir!

Porquê um psicólogo?
O psicólogo apresenta-se como um elemento externo, imparcial e com conhecimentos específicos que pode ajudar na altura de perceber um pouco mais sobre um problema, compreender as suas causas e avaliar possíveis soluções. A intervenção psicológica oferece uma oportunidade para a não cristalização de comportamentos disfuncionais que parte de um momento de avaliação, com evidência científica e empírica, passando pela observação do comportamento da criança, recurso a testes, questionários e outros materiais que auxiliam na identificação do problema e na partilha de competências e padrões comportamentais.

Um psicólogo credenciado!
Se pretende recorrer à ajuda de um psicólogo, deve aconselhar-se junto da escola do seu filho, pediatra ou amigos que possam referenciar-lhe alguém. Deve também certificar-se de que o psicólogo está inscrito na ordem dos psicólogos portugueses (consultar site oficial). Nas primeiras sessões será importante apurar a qualidade da relação terapêutica estabelecida com a criança sendo esta uma condição essencial para o sucesso da intervenção.

O que dizer à criança?
A melhor forma de explicar a uma criança onde vai, porque vai e o que é um psicólogo é com palavras simples e de fácil compreensão. Não dê à criança mais informação do que ele pede e necessita. Procure usar linguagem adequada à idade e maturidade da criança evite fazer referência à primeira consulta com muita antecedência para que não cause ansiedade. Seja sincero e fale do psicólogo referindo o seu próprio nome, como um “ajudante especial”, o “doutor do coração”. É igualmente importante diferenciar a ida ao psicólogo de uma ida ao médico ilustrando a primeira como um momento privilegiado onde haverá espaço para conversar, brincar, jogar, desenhar…. E muito mais!

A 1ª consulta
As sessões de acompanhamento psicológico pautam-se por diferentes momentos que partem de um processo de avaliação inicial das dificuldades da criança e posterior elaboração de um plano de intervenção. Na primeira consulta é realizada uma entrevista com os pais ou encarregados de educação, para a necessária exposição das dificuldades atuais, que implica o despiste de comportamentos disfuncionais mais óbvios e manifestações subtis de comportamento. Estas últimas estão associadas a características situacionais minor que possam estar a fazer sombra às reais dificuldades da criança. Posteriormente será dado o racional acerca do processo de avaliação, intervenção e follow-up a decorrer nas sessões seguintes.

Necessidades específicas, consultas específicas
Nas consultas de psicologia infantil a intervenção é feita ao nível das necessidades comportamentais, relacionais, emocionais e familiares da criança. Partindo da identificação de um problema e da articulação de um plano de intervenção global, que envolve sempre os pais e, muitas vezes, professores e outros cuidadores, são trabalhadas as competências necessárias para atingir determinado(s) objectivo(s).

Quando as dificuldades particulares de cada criança se refletem essencialmente ao nível do insucesso escolar, dificuldades de atenção, concentração, métodos de estudo, organização e gestão do tempo, a intervenção deve ser realizada nos termos do apoio psicopedagógico. Através deste apoio e após um processo de avaliação indissociável, é igualmente delineado um plano de intervenção com o objetivo de proporcionar a aquisição e o treino de competências facilitadoras de um processo de aprendizagem eficiente, essenciais ao bom desempenho escolar.

As consultas de aconselhamento parental destinam-se a pais e encarregados de educação que procuram um espaço de reflexão e aconselhamento específico para, em conjunto com o psicólogo, serem trabalhados aspetos relacionais e competências parentais específicas (know-how). Esta consulta tem como objetivo promover o sucesso e autonomia das relações familiares, enquanto oportunidade para a exposição de dúvidas e discussão de estratégias a implementar. 

Perguntas Frequentes

O meu filho vai sentir-se diferente?
A experiência que tenho tido é a de que as crianças gostam, efetivamente, de ir ao psicólogo. Encaram esse momento mais como um privilégio do que como um aspeto negativo nas suas vidas. É o momento deles, numa relação de total exclusividade e respeito. Acima de tudo, as crianças reconhecem os benefícios da terapia ao longo do tempo e devem ver o seu interesse reforçado a partir do reconhecimento de todos os esforços e mudanças que vão ocorrendo.

Posso saber mais do meu filho através do psicólogo?
Todos os psicólogos são obrigados a reger a sua atividade segundo um código deontológico que obriga ao sigilo e à confidencialidade. A confiança é primordial e não pode ser abalada pela sensação de ter no psicólogo um “falso confidente” que serve de pombo correio na satisfação das naturais necessidades de informação dos papás. Fornecer o feedback aos pais acerca do que está a ser trabalhado ao longo das sessões torna-se essencial para que percebam como está a decorrer a intervenção e como podem colaborar no processo. Qualquer informação cuja ocultação seja passível de colocar em risco o bem-estar físico e emocional da criança ou dos que a rodeiam será naturalmente transmitida a quem de direito.

Posso assistir às consultas?
No decorrer das sessões de acompanhamento realizadas com a criança será requisitada a presença dos pais em alguns momentos no sentido de definir estratégias, mediar conflitos, delinear objetivos e desenvolver competências parentais proativas. Contudo, a consulta de psicologia é para a criança e, no sentido de promover uma relação empática e terapêutica funcional, esta deve reconhecer aquele como o seu espaço e poder contar com a sua exclusividade. Algumas crianças ficam visivelmente ansiosas na presença dos pais. Para outras, esta situação constitui um fator de distratibilidade, pelo que os riscos da sua permanência nas sessões deverão sempre ser avaliados e considerados. No final de cada sessão, haverá sempre tempo para o feedback que os pais procuram.

Os psicólogos só brincam?
A verdade é que os psicólogos também brincam! No jogo lúdico cria-se uma oportunidade única para o estabelecimento da relação terapêutica, indispensável ao sucesso da intervenção a realizar. Através do brincar é possível ter acesso à expressão do mundo interno das crianças e à exteriorização dos seus pensamentos e sentimentos. Considera-se ainda que, através do jogo simbólico, livros, vídeos e outros meios de intervenção pedagógica, obtemos um meio auxiliar para a aprendizagem e modelagem de comportamentos funcionais, capazes de fomentar a capacidade de resiliência e resolução de problemas, particularmente útil no trabalho com crianças mais pequenas.

Quanto tempo demora a terapia?
A variabilidade contextual é um fator determinante estimativa de um tempo para a terapia. As características do problema, o envolvimento familiar e as próprias especificidades da criança tornam-se determinantes para o abreviar ou prolongar do período de intervenção. É como ir ao ginásio, se for todos os dias e tiver cuidado com a alimentação, os efeitos esperados serão naturalmente obtidos com maior rapidez! 

No que concerne a periodicidade das sessões é evidente que quanto mais frequentes forem as consultas mais facilmente se reúnem as condições para a obtenção rápida dos ganhos pretendidos. Considera-se que as consultas semanais, sempre que possível, apresentam o intervalo de tempo ideal para a reflexão, assimilação de conteúdos, ensaio comportamental e acomodação dos sentidos às novas aprendizagens.

Como se podem modificar comportamentos dentro de um consultório?
A psicoterapia, de uma forma geral, resulta num momento privilegiado para a transferência e criação de padrões de funcionamento. O meio sócio-cultural organiza o cérebro ao longo do tempo, por meio do estabelecimento de novas conexões neuronais sem que, para acontecer, necessitem de alterações morfológicas associadas. Da mesma forma, o processo terapêutico permite a criação de novas conexões na rede neuronal (plasticidade cerebral), sendo possível modificar perceções, reções e comportamentos, como consequência do processo de intervenção terapêutica, no próprio consultório. A mudança é promovida no cérebro da criança e não resultado de um condicionamento ambiental e, por isso, passível de se generalizar para diversos contextos.

Dicas úteis
Se as estratégias que está a utilizar com o seu filho, ao nível da resolução de problemas, parecem não estar a resultar, procure alternativas. As necessidades das crianças não são estanques e como elas também a forma de atuar deve refletir uma evolução. Dê afeto sem constrangir. As crianças precisam de mimo e afeto mas também valorizam o seu próprio espaço por isso, respeite a sua privacidade. Envolva-se frequentemente em atividades prazerosas com o seu filho e esteja atento a pequenos sinais de alerta que possam estar a manifestar-se como “SOS - preciso de ajuda”. Lembre-se que as regras são necessárias para o crescimento saudável da criança. Ela sente-se amada e segura quando certos limites lhe são impostos. Defina limites claros e consistentes e envolva o seu filho no processo de reconhecimento e tomada de decisão no que respeita os seus direitos e deveres, o deve ou não fazer e discuta com ele os porquês. Perante uma dificuldade, avalie o antes, o durante e o depois… tente perceber o que poderá estar na origem do problema, qual o seu estilo de resposta perante o mesmo e quais as consequências que daí resultam. Se não está a ver resultados será, certamente, porque a forma de lidar com o problema não está a ser a melhor e, muito provavelmente, precisa de ser revista e reajustada. Recorde sempre as palavrinhas mágicas: coerência na forma como responde ao problema, constância na aplicação da resposta e consequência contingente e lógica. Se “uma criança não é uma criança para ser pequena mas para se tornar adulta” (Èdouard Claparède), é nos pequenos gestos de hoje que iremos ver refletidas as ações de amanhã, os ganhos e perdas de um futuro incerto. Não se criam filhos perfeitos mas transmitem-se valores, ensinamentos, traçam-se as metas, costuram-se novos futuros. Quanto mais forte for a linha que cose, por mais tempo resistirão as aprendizagens, bem arrumadinhas, cada uma na sua gaveta… e as emoções, essas, nunca irão descarrilar… e se descarrilarem, facilmente se irão encontrar, voltar a si e alcançar a meta! Toca a costurar filhos bonitos, não perfeitos, mas bonitos!
 
Clínica Psiquiátrica Dr. José Carvalhinho
Telm: 914912129

9 cidades europeias para visitar em família

6.3.15
Para rubrica Quem Sabe Fala, fui ali ao blog Viajar em Família roubar um post sobre as 9 cidades europeias para visitar em família. Como sabem fiquei com pena de não levar o Little a Istambul e fiquei a pensar como seria viajar com filhos pequenos, verdade que vejo muitos casais aventureiros que o fazem, gostava muito de ter a mesma coragem, e quem sabe se as próximas férias não são de pano às costas com o Little Baby e de mão dada com o Little Man numa destas nove cidades.

9 cidades europeias para visitar em família

Muitas vezes perguntam-me qual a cidade que mais gostei de visitar ou pedem-me sugestões e dicas sobre os melhores lugares para visitar com os miúdos. A resposta não é nada fácil, como imaginam! Para começar, é preciso relembrar que gosto muito de conhecer grandes cidades e que as minhas escolhas vão necessariamente ao encontro dos meus gostos e prioridades pessoais.

Mas hoje decidi partilhar aqui algumas das minhas cidades europeias preferidas, aquelas onde já estivemos em família e nos marcaram pela positiva. Pelo menos até hoje, pois tenho de fazer aqui a importante ressalva de que esta é uma lista permanentemente inacabada, porque sonhos e projectos de viagens é coisa que não falta cá por casa!

Quem me conhece também sabe que prefiro fazer férias de uma forma independente e fora dos típicos roteiros turísticos e são precisamente os nomes mais alternativos e improváveis que gosto de sugerir.

Apesar disso, nesta lista também constam destinos mais conhecidos, como Londres ou Paris porque, mesmo não fazendo parte das nossas prioridades de viagem são sem dúvida visitas imperdíveis para os miúdos que conseguem reconhecer facilmente muitos dos símbolos arquitectónicos e culturais que caracterizam cada uma destas cidades.

Esta é pois uma lista de preferências sem qualquer ordem de importância, pois perante a dificuldade de colocar umas cidades à frente de outras (são todas quase igualmente fantásticas!!) decidi que seria mais justo (e fácil para mim, vá admito) fazer uma enumeração por ordem alfabética e resolver assim o assunto.

É então uma listagem de pequeninas coisas que reflectem a nossa experiência pessoal, porque por uma ou outra razão, todos estes lugares nos tocaram de uma forma tão especial que afinal cabem lado a lado no nosso coração, sem atropelos ou qualquer ordem formal a separá-los.

Segue agora a minha sugestão de 9 cidades europeias para visitar em família que espero vos sirva de inspiração para a vossa própria lista de preferências:


1. AMESTERDÃO, Holanda
Quem lá foi, não esquece as pontes, os passeios nos canais, as ruas estreitas e labirínticas, os piqueniques improvisados nos jardins públicos, as visitas aos museus, a imensa escolha de queijos, socas de madeira e túlipas, o NEMO ou mesmo as bicicletas que servem para tudo e mais alguma coisa (até para transportar móveis, falar ao telemóvel e segurar um chapéu-de-chuva, ao mesmo tempo, que eu vi!!).
Vantagem – o comboio do aeroporto para o centro da cidade é directo e rápido
Desvantagem – o clima (é muito ventoso e chuvoso)
Experiência inesquecível – ir ao Kinderkookkafé no Vondelpark (onde as crianças escolhem e cozinham a própria refeição)
Dica de visita, se tiverem tempo – cidade de Colónia na Alemanha (a cerca de 3h de comboio)




2. BARCELONA, Espanha
Espanha é um dos países em que a notoriedade e o fluxo de visitantes da capital é superado por outra grande cidade. E muito justamente, digo eu que gosto bastante de Barcelona e um pouco menos de Madrid. Porque a primeira é uma cidade com ambiente de festa o ano inteiro, porque tem praia, serra, campo e cidade, porque tem um clima muito ameno (raramente chove) e ainda muita escolha de hóteis e restaurantes e muitos passeios e visitas para fazer.
Vantagem – está a uma curta viagem de avião desde Portugal (e tem vários voos low cost)
Desvantagem – tem sempre demasiados turistas
Experiência inesquecível – alugar uma bicicleta e percorrer todo o calçadão junto à beira-mar
Dica de visita, se tiverem tempo – parque temático Portaventura (a cerca de 1h15m de comboio)




3. BERLIM, Alemanha
Possivelmente os miúdos não vão reter todos os pormenores históricos, mas quase garanto que não se vão esquecer do inesquecível, que há 25 anos havia um muro a dividir aquela terra. Actualmente é uma cidade imensa, grandiosa, cheia de histórias e monumentos imponentes, mas onde o passado convive muito bem com a modernidade. E nós gostámos de ver as bicicletas de Berlim, até dentro dos comboios!
Vantagem – tem uma grande história para contar
Desvantagem – é muito grande, difícil de percorrer a pé e em poucos dias
Experiência inesquecível – percorrer os pedaços do muro que ainda restam e depois conseguir colocar um pé em cada lado da antiga cidade dividida
Dica de visita, se tiverem tempo – parque temático Legoland Discovery Centre (na Potsdamer Platz)




4. BRUXELAS, Bélgica

É normalmente conhecida como uma cidade de trabalho, o centro da União Europeia, mas na verdade tem muito mais para oferecer além disso. É, por exemplo, a cidade da banda desenhada (Tintim, Smurfs), do Manneken Pis (a pequena estátua do menino que faz chichi), do Atomium (um edifício com uma estrutura muito especial cheia de esferas) e do Mini-Europe (um parque temático com as minuaturas dos edifícios europeus).
Vantagem – há muitos lugares interessantes para visitar
Desvantagem – o clima (é normalmente “cinzento”)
Experiência inesquecível – comprar um waffle com chocolate numa roulote de rua
Dica de visita, se tiverem tempo – cidade de Bruges (a cerca de 1h30m de carro)




5. COPENHAGA, Dinamarca

Estamos lá e parece que estamos dentro de um conto de fadas, com castelos, jardins e tantas mas tantasbicicletas na rua, que é quase irreal. Apesar de ser a capital do país, é uma cidade relativamente pequena e por isso pode ser facilmente visitada a pé. Eu já aqui referi que há 20 coisas a não esquecer em Copenhaga, onde o nível de segurança é enorme (os pais vão às lojas e deixam os bebés a dormir nos carrinhos à entrada, na rua!) e todos falam inglês. Também foi aqui que se inventou o Lego e se pode visitar o Tivoli, a fábrica da Carlsberg ou a Pequena Sereia.
Vantagem – ruas, restaurantes e lojas bastante “amigas das famílias”
Desvantagem – custo de vida elevado
Experiência inesquecível – ir a um jardim durante a tarde e apreciar a rotina familiar dos habitantes
Dica de visita, se tiverem tempo – parque temático Legoland em Billund (a cerca de 3h de carro)




6. ESTOCOLMO, Suécia

É uma cidade feita de várias ilhas e só isso já tem o seu encanto muito próprio. Mas a ilha Djurgården parece ter sido especialmente construída para a alegria das famílias: tem jardins com patos, a Junibacken (a casa da Pipi das Meias Altas), o museu ao ar livre Skansen, o parque de diversões Gröna Lund, o Museu da Ciência e Tecnologia, o Museu Vasa e ainda o recente Museu dos ABBA. É também o lugar onde se pode dormir num avião com camas mesmo a sério, se comemora o Midsummer com as suas curtíssimas noites de Verão (cerca de 2 a 3 h) e onde os homens de gravata andam de bicicleta!
Vantagem – fácil e completa rede de transportes públicos
Desvantagem – o clima, instável durante quase todo o ano e muito rigoroso no Inverno
Experiência inesquecível – apanhar um ferry, daqueles que os habitantes usam
Dica de visita, se tiverem tempo – arquipélago de Estocolmo (a partir de 1h de ferry)




7. LONDRES, Inglaterra

A língua inglesa é a segunda língua ensinada nas escolas portuguesas e isso faz com que todas as crianças conheçam muito bem os símbolos culturais de Inglaterra. Acho que visitar Londres é pois tornar realidade aquilo que se habituaram apenas a ver em livros e filmes. Além disso também tem a vantagem de os miúdos conseguirem praticar tudo aquilo que aprenderam e até a conhecerem mais algumas expressões que só se usam na língua falada do dia-a-dia. A cidade não é barata, mas eu já aqui enumerei 8 coisas grátis para fazer com a família e até aprendi a ver Londres com outros olhos.
Vantagem – muita variedade de restaurantes, lojas e cultura mundial
Desvantagem – os habitantes locais são pouco afáveis
Experiência inesquecível – subir às costas de um leão em Trafalguar Square
Dica de visita, se tiverem tempo – Estúdios Harry Potter (a cerca de 1h de autocarro)




8. PARIS, França

Poucas serão as crianças que não reconhecem a Torre Eiffel. Mas conseguir vê-la assim de perto é mágico. Já foi em 2007 que estive lá com os meus filhos pela primeira vez. E depois disso voltámos e fomos ao Parque Astérix. Em qualquer uma das vezes não chegámos a subir porque as filas eram enormes e a paciência para ficar à espera muito pouca! Mas nem por isso deixámos de gostar muito de lá ter estado, bem aos pés daquela gigante Torre.
Vantagem – há muito para apreciar, ver e visitar
Desvantagem – poucos habitantes se disponibilizam a falar inglês
Experiência inesquecível – colocar um cadeado na Ponte das Artes (ou em qualquer outra)
Dica de visita, se tiverem tempo – Disneyland Resort Paris (a cerca de 1h de carro)




9. ROMA, Itália

Dependendo da idade dos miúdos, é possível que já tenham aprendido na escola alguns factos sobre o Império Romano e por isso é mais fácil envolvê-los nas visitas. Da nossa passagem pela cidade fica a recordação de habitantes barulhentos e efusivos, mas também de muitos monumentos e edifícios espalhados por todo o lado e muitas vezes até “encurralados” entre tanta grandiosidade, como é o caso da Fonte de Trevi e do Coliseu, por exemplo, que surgem onde menos se espera.
Vantagem – cada esquina tem uma história para contar
Desvantagem – os edifícios e as estruturas hoteleiras são maioritariamente antigas
Experiência inesquecível – estar em frente ao Coliseu
Dica de visita, se tiverem tempo – saborear um gelado em frente à fonte de Trevi e pedir desejos


Texto e Fotos de Viajar em Família 

Depressão pós-parto, Quando nem tudo é o que parece!

31.1.15
Prevalência, Sintomatologia e Diagnóstico 
A depressão pós-parto (DPP) é já reconhecida, em muitos países, como uma questão importante de saúde pública, dada a prevalência e impacto na população feminina. Em Portugal, estudos recentes apontam para o predomínio desta perturbação em cerca de 12.4% das mulheres, na semana que sucede o parto e 13.7% nos três meses seguintes. 

Vários fatores de risco têm sido avaliados na predisposição para a DPP. Os dados empíricos apresentam resultados contraditórios a este nível, associados à natureza complexa e multifactorial do quadro clínico. O nascimento de uma criança modifica de forma permanente a vida de uma mulher sendo este período reconhecido como facilitador de uma maior vulnerabilidade e instabilidade mental. Apesar das dificuldades na definição consensual dos critérios de diagnóstico para a Depressão Pós-Parto, esta é integrada pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) na classificação de Transtorno do Humor, caracterizada pela presença de um episódio depressivo, com início nas quatro primeiras semanas do pós-parto. Alguns autores justificam esta dificuldade com base na perceção da maternidade como um período de altos e baixos, por si só, muitas vezes acompanhado de uma melancolia passageira, conhecida também por maternity blues. Habitualmente, a melancolia pós-parto ocorre por um período breve de até 2 semanas com início até 3-4 dias após o parto. Apresenta um grau de severidade inferior à DPP e uma prevalência superior na população feminina. O humor deprimido é, neste caso, resultado das aterações repentinas dos níveis hormonais mas também da perceção concreta de um novo estatuto e/ou realidade para a puérpera. Num período socialmente assumido como um momento de grande realização, expoente máximo da felicidade de uma mulher e de um casal, torna-se difícil para muitas mães assumir sentimentos e pensamentos contraditórios, assentes em dúvidas e sensações estranhas ao próprio eu. A DPP limita a capacidade da mãe interagir de forma positiva com o bebé e, para além dos possíveis efeitos devastadores ao nível da sua saúde mental, quando não superada, pode comprometer o desenvolvimento cognitivo, comportamental e emocional da criança. Coloca ainda uma sobrecarga nos familiares mais próximos, provocando efeitos adversos na relação marital, com um impacto negativo ao nível da saúde mental do próprio parceiro. 

Os sinais e sintomas do estado depressivo variam quanto à forma e intensidade com que se manifestam, estando directamente relacionados com as características de personalidade da puérpera, com a sua própria história de vida e com as mudanças bioquímicas processadas no pós parto.

Os sintomas mais comuns são: 
Humor lábil e deprimido;
Alterações do apetite e do sono;
Falta de interesse e prazer por grande parte das actividades; 
Cansaço e perda de energia;
Sentimento de culpa ou desvalorização pessoal;
Ansiedade;
Irritabilidade;
Choro fácil;
Perda de líbido;
Dificuldade na aceitação e estabelecimento de uma relação empática com o bebé.


Etiologia e Fatores de Risco 
De acordo com grande parte das investigações realizadas no âmbito da DPP, a causa etiológica mais provável para esta perturbação prende-se com as alterações hormonais. O período do pós-parto está associado a muitas alterações neuroendócrinas e de carácter psicossocial cuja interacção estará na base do desenvolvimento da DPP. Os fatores de risco considerados na investigação empírica centram-se numa abordagem multifactorial que envolve aspetos biológicos, hereditariedade, apoio social e acontecimentos de vida relevantes. Existem algumas situações que se podem distinguir como sinais de alerta já que aumentam o risco de uma depressão pós-parto. São elas o historial de depressão pré-natal, a ocorrência de episódios depressivos durante a gravidez, um parto difícil, o baixo suporte social, situação económica ou familiar desfavorável, a baixa auto-estima materna, níveis de stress elevado, dificuldades temperamentais do bebé, o nascimento prematuro do bebé ou problemas de saúde associados. 


Tratamento 
O tratamento médico da depressão pós-parto deve envolver essencialmente dois tipos de cuidados: o psicológico e o psiquiátrico. A necessidade de tratamento da DPP prendese com o objectivo primordial de melhorar a qualidade de vida das mães e prevenir distúrbios no desenvolvimento do bebé, preservando um bom relacionamento familiar. Ao nível da psicoterapia existem várias opções de tratamento com recurso a técnicas de promoção de competências parentais, manejo do stress, controlo da ansiedade e desenvolvimento da auto-estima. O aconselhamento e terapia conjugal pode ser igualmente útil para o desenvolvimento de estratégias de comunicação e interação eficazes assentes na interajuda e partilha de responsabilidades. Quando os sintomas depressivos são mais severos, necessitam de suporte farmacológico. Muitas mães receiam a dependência de antidepressivos mas quando tomados de acordo com a prescrição médica, não representam esse risco. Este tipo de tratamento exige horários certos e muita disciplina não devendo nunca ser interrompido sem consentimento médico. Quando as mulheres estão ainda a amamentar, devem referi-lo ao seu médico para que a opção farmacológica seja compatível com o aleitamento materno. Neste sentido, a mãe pode consultar o ginecologista que a acompanhou ao longo de todo o período pré-natal e partilhar com ele as suas preocupações e sintomatologia, no sentido de obter o encaminhamento mais adequado à situação. Quando existe intervenção ao nível da DPP, o prognóstico é bastante positivo, considerando a taxa elevada de recuperação total de grande parte das puérperas.


Dicas úteis para as mamãs 
Antes do parto procure reconhecer a sua vulnerabilidade para o desenvolvimento da DPP tendo em conta o seu histórico de saúde clínica, histórico de saúde familiar, situação familiar e apoio social. Converse com o seu médico acerca das suas preocupações e esteja atenta aos sinais de alarme. No caso de se aperceber da presença de fatores de risco ou sintomatologia concordante com a anteriormente apresentada, não hesite em falar com o seu ginecologista, no sentido de procurar a solução e o acompanhamento mais adequado ao seu caso. 
No período pré-natal evite envolver-se em grandes mudanças ou alterações na rotina. Preocupações em exagero colocam-na sob níveis de stress elevados, responsáveis pelo aumento da ansiedade, associada aos fatores de risco para a DPP.
Mime-se! Não se esqueça de garantir que tem e terá sempre um tempinho para si! Para dar precisa de receber. Aceite toda a ajuda disponível e procure envolver-se em actividades prazerosas e relaxantes. Não se isole! Procure manter-se ativa e em contacto com outras pessoas, por exemplo, outras grávidas e amigas com quem possa conversar e partilhar experiências.
Peça ajuda! Não tem de ser uma super mulher! Quanto mais cedo conseguir ajuda mais fácil e rápida será a recuperação. E lembre-se, a depressão pós-parto não é um traço de personalidade mas uma condição que pode ser tratada.



Encare o reconhecimento dos sintomas e a procura de ajuda como um ato de amor! Um ato de coragem! A origem da DPP pode fugir ao seu controlo mas a o que vai fazer com ela só depende de si!


Clínica Psiquiátrica Dr. José Carvalhinho
Telm: 914912129

O Autismo na família e o seu lugar no mundo

8.12.14

Se não existissem regras, não existissem normas, não existissem modelos e estereótipos, o autismo podia, talvez, nem existir. Assente numa forma diferente de ver o mundo, o autismo, enquanto diagnóstico, pode aparecer de forma gradual e quase silenciosa ou ser desde cedo alvo de uma atenção e preocupação gritantes! Serão estas crianças diferentes? Que crianças não o são? Aprendem de uma outra forma? E não terá cada criança o seu ritmo? Serão adultos dependentes e eternamente vulneráveis? Não, se dispuserem de ferramentas para libertar o que está a mais e “alimentar-se” do que faz falta! Impõe-se, para isso, o reconhecimento dos principais sinais de alerta com o objetivo de despertar consciências para a urgência de um diagnóstico precoce, indissociável ao sucesso da intervenção. Serão estas crianças para sempre diferentes? Certamente aprenderão algumas coisas de uma forma mais superficial e vagarosa mas farão muitas aprendizagens tão ou mais importantes e que no seu mundo farão todo o sentido. Terão para sempre um mundo vibrante de cores e sensibilidades a que só eles têm acesso. E não será essa a liberdade que tantos anseiam e não conseguem ter?! Um espaço, um mundo que é só seu? Autismo, um caminho, um olhar diferente…

As perturbações do espetro do autismo são perturbações do desenvolvimento de origem neurobiológica, cuja causa específica ainda é desconhecida. Falar de desenvolvimento implica sempre falar de um processo de mudança, dinâmico e multidimensional, que ocorre durante um período de tempo. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), o autismo define-se a partir da observação de “défices persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, atualmente ou por história prévia”. Na grande maioria dos casos, as características clínicas do autismo tendem a manifestar-se durante os primeiros 3 anos de vida. As dificuldades são habitualmente percebidas a partir do momento em que a criança começa a não conseguir corresponder ao que dela é esperado, verificando-se um prejuízo grave no desenvolvimento da criança. 

No contexto das dificuldades manifestas ao nível da comunicação é frequente observar-se, desde cedo, algum comprometimento na interação do bebé sendo que a balbucia aparece limitada em amplitude e complexidade não se verificando a presença de um estilo de comunicação pré-verbal entre a criança e os seus cuidadores. Por volta dos 2 anos de idade, as aquisições ao nível do vocabulário permanecem muito limitadas e com tendência para o mutismo. A criança tende a desenvolver por isso, um estilo de comunicação curta, estereotipada, ecolálica (muito repetitiva) e não funcional. Verificam-se também comprometimentos ao nível da compreensão da linguagem, marcada pela dificuldade na interpretação de conceitos e expressões. É frequente assistir-se a alterações ao nível do discurso como o tom e modulação de voz a que a criança recorre habitualmente, neologismos (que consiste na criação de uma palavra ou expressão nova, ou na atribuição de um novo sentido a uma palavra já existente) e inversão de pronomes (por exemplo, diz “tu” em vez de “eu”). As dificuldades na linguagem comprometem a memória auditiva pelo que as imagens visuais persistem e mais facilmente perduram na memória.

As crianças com autismo não conseguem, por exemplo, alterar padrões de comportamento de acordo com determinada situação social sendo sempre iguais a si próprias. Neste sentido, os sintomas observados ao nível da interação social prendem-se com a falha ou evitamento do contacto visual (em alguns casos), a dificuldade no estabelecimento de relacionamentos afetivos e de reciprocidade, a complexidade na interpretação e expressão emocional que limita comportamentos como a partilha de experiências e a incapacidade de desenvolver ações apoiadas na perceção do outro. É como se não conseguissem ver o mundo sobre nenhuma outra perspetiva que não a sua (cegueira mental). Estas crianças não desenvolvem a capacidade de imaginação sendo difícil entrar em brincadeiras como o “faz-de-conta”. Atuam com base na memória, que têm dos acontecimentos. Na ausência de imaginação, a memória substitui-a. Por isso é natural que o autista manifeste um padrão repetitivo de comportamento.

No contexto comportamental, a perturbação autística é caracterizada pela presença de comportamentos estereotipados e maneirismos motores (flapping e flicking correspondentes à agitação das mãos e dos dedos, respetivamente) mais frequentes nas crianças com um nível de comprometimento cognitivo superior e cuja insistência parece assumir uma qualidade compulsiva. É comum verificar-se a vinculação a determinados objetos (de acordo com determinadas regras que estipulam com base na cor, forma, tamanho e outros aspetos que se revelam indispensáveis para estas crianças) ou um interesse persistente por determinados temas ou coleções (por exemplo, dinossauros, automóveis, datas, poemas ou nomes). A criança autista tem dificuldade em entender o significado geral das coisas, assumindo uma tendência para se focarem em detalhes e pormenores (com particular destaque para as experiências sensoriais). É frequentemente impossível afastar estas crianças dos momentos de brincadeira ou até das suas preocupações. Em tudo seguem os seus impulsos e interesses à parte das conveniências do mundo exterior e os seus estados de humor são radicalmente instáveis. Uma das características comuns nas crianças com perturbação do espetro do autismo é a necessidade de adoção de determinadas rotinas que aumentam a sensação de conforto associada à previsibilidade dos acontecimentos. A docilidade destas crianças pode ser interrompida por uma conduta agressiva quando se impõem obstáculos à sua atividade. Neste sentido, facilmente se entende que se mostrem muito resistentes a mudanças ou alteração de rotinas. Vivem no aqui e agora, o futuro faz parte de um imaginário que não cultivam. 

Os primeiros problemas da interação com uma criança com autismo refletem-se, particularmente, na família enquanto unidade baseada na entrega emocional dos seus membros. “ É como se ele estivesse sozinho no seu mundo.” A criança parece despreocupada e desinteressada por tudo, abstraída de qualquer tipo de movimento ou barulho à sua volta e totalmente inacessível a qualquer tentativa de contacto ou comunicação, irritando-se bastante quando isso acontece. Para os pais é extremamente difícil aceitar o comportamento da criança com autismo que interfere na dinâmica da família que não sabe agir e pode mesmo experienciar sentimentos de incompreensão e até rejeição. Contudo, todas as crianças diferem umas das outras e estas não são exceção. São diferentes mesmo dentro do mesmo espectro. Neste sentido, facilmente se entende que a intervenção com estas crianças deva ser individualizada. Em primeiro ligar, deverão ser usadas medidas psicoeducacionais, no sentido de melhorar o conhecimento das famílias acerca das bases neuropsicológicas do autismo e suas implicações. Nenhuma criança com autismo poderá ter só um tipo de tratamento. Estas crianças precisam de ser entendidas como um todo e beneficiar de uma abordagem ampla e completa. O ambiente favorável ao desenvolvimento de competências de funcionalidade nestas crianças é sem dúvida o ponto de partida para qualquer intervenção partindo de objetivos muito concretas e muito frequentemente visuais. As crianças autistas têm, em geral, um atraso em diversos domínios do desenvolvimento, quando comparadas com crianças não autistas. No entanto, apesar de o fazerem a um ritmo diferente, muitas delas conseguem adquirir aprendizagens equivalentes às crianças não autistas. Quando pais e professores estão atentos e são conhecedores desta perturbação, torna-se mais fácil intervir, de forma a potenciar um estilo de vida mais autónomo e funcional. É indispensável que pais, professores e todos os recursos humanos envolvidos no processo de intervenção trabalhem no mesmo sentido, sendo por vezes benéfico, principalmente para os pais, usufruírem de um treino específico para melhor lidarem e comunicarem com os seus filhos. Existe uma infinidade de técnicas que podem ser usadas com estas crianças e que nos ajudam, a cada dia que passa, a desvendar um pouco mais o mistério associado a esta perturbação. Sempre guiados por uma máxima fundamental e que pode, definitivamente, fazer a diferença num mundo de mentalidades nem sempre justas, nem sempre verdadeiras:

“Todo o autista tem potencialidades, para transcender dentro de sua especificidade, por isso, ensine um autista de várias maneiras, pois assim, ele conseguirá aprender.” (Simone Helen Drumond Ischkanian)

Texto Dr.ª Carolina Costa
Clínica Psiquiátrica Dr. José Carvalhinho
Telm: 914912129

Quem Sabe Fala, agora em espécie de consultório

2.12.14
Na rubrica Quem Sabe Fala, vamos abrir um consultório na área de Psicologia. Uma vez por mês vão poder fazer perguntas, tirar dúvidas e sugerir temas, tenham calma não é para fazer a consulta dos problemas da vossa vida :) Para isso podem falar pessoalmente com a Carolina. Mas sabem, às vezes temos aquela questão, aquela dúvida sobre os nossos filhos, sobre nós, sobre as nossas relações, aquela conversa que teriam com uma amiga. Aqui tem a amiga, mas com a vantagem que esta é psicóloga, e das boas!! 

E quem é a Carolina? 
Carolina Costa, membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Mestre em Psicologia Clínica, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e Pós-graduada em Psicopatologia da Infância e da Adolescência pela Associação Central de Psicologia

Experiência profissional relevante no contexto da avaliação e intervenção com crianças em contexto escolar, aconselhamento e orientação familiar e organização de ateliers de intervenção primária ao nível da estimulação e promoção da inteligência emocional

Membro da equipa de intervenção multidisciplinar do Clube Corvos do Lis como dinamizadora de ateliers lúdico-pedagógicos de carácter preventivo no contexto da saúde e reabilitação emocional e desenvolvimento infantil

Exerce atividade na Clínica Psiquiátrica Dr. José Carvalhinho em regime de consultas de avaliação e intervenção psicológica com crianças, adolescentes e adultos 

Informação de Contacto:
Morada Clínica Psiquiátrica Dr. José Carvalhinho, Rua Vale de Lobos nº1, 1º Dto 2410-078 Leiria 
Telemóvel 914912129 
E-mail carolinacosta.psicologa@gmail.com 

Que venham as perguntas, temas, sugestões, a Carolina vai tentar responder, porque afinal é só uma e acredito que nem ela tenha resposta para tudo o que nos assombra ;) Nem ela nem ninguém!!
Podem colocar as questões directamente no post do facebook (que colocarei na devida altura) ou se preferirem por email mylittlemanblog@gmail.com

Toxoplasmose

12.10.14

O que é Toxoplasmose e quais os cuidados a ter, pela enfermeira e querida Cristiana Pereira. Ah e o que ela não diz, é que para além de mulher, mãe e enfermeira também tem mãos de fada para fazer brigadeiros, espreitem Era uma vez - Brigadeiros Gourmet.

Cristiana Pereira, 28 anos, e natural de Leiria onde residi na infância e voltei a residir à cerca de 4 anos. Sou Mulher e Mãe de um pequeno príncipe com cerca de 2 anos que me roubou o coração. Sou ainda Enfermeira de profissão, licenciada pela Escola Superior de Enfermagem São João de Deus na muy nobre e ilustre cidade de Évora. Se isto fosse para aquele programa de televisão, esta introdução acabava assim: “E estou como sou, no blog do My Little Man”!

A Toxoplasmose é uma doença infecciosa, congénita ou adquirida, provocada por um parasita chamado Toxoplasma gondii que aterroriza grávidas, assombra dietas e facilmente modifica hábitos do quotidiano. Em suma, é um verdadeiro fantasma.

Do diagnóstico Pré-Natal, faz parte o teste da Toxoplasmose, que indicando imunidade não necessita de ser repetido no decurso da gravidez. Se por outro lado o teste referir que não se está imune, é importante ter noção dos cuidados necessários na prevenção desta patologia, e repetir o exame a cada trimestre da gravidez. Para a grávida iniciam-se os conselhos restritivos e os sobressaltos.

É de facto importante não esquecer os cuidados necessários para evitar a doença, mas não é imprescindível despedir-se do gato, amigo fiel de tantos anos, nem deixar de comer as frutas, legumes e vegetais que sempre comeu com tanta satisfação.

As dúvidas são muitas, e as respostas ficam aqui:
A Toxoplasmose transmite-se pelo contacto/ingestão do seu parasita (o referido acima, toxoplasma gondii) que tem como principal hospedeiro o gato. Este expele-o nas suas fezes, que por sua vez podem contaminar os solos, e os legumes, vegetais e frutas, que ingeridos por outros animais os deixam também contaminados.

Há vegetais e frutas que por crescerem mais perto do solo são facilmente contaminados (alface, tomate, morango, por exemplo), mas todos eles são potenciais fontes de infecção pelo que é necessário serem muito bem lavados, com abundante água corrente, antes de serem consumidos. Existindo dúvidas, é preferível consumi-los cozinhados ou retirar-lhes a casca, isto porque os produtos que existem à venda para lavar os vegetais/frutas não garantem a eliminação do toxoplasma gondii.

A ingestão de carne mal cozinhada e a manipulação de objectos contaminados com fezes de gato são outros modos de contágio. Cozinhar bem a carne, e higienizar as mãos e todos os utensilios/superficies que estiveram em contacto com a carne crua são bons príncipios.

Ao mexer em terra ou limpar a caixa de areio do gato, não esquecer o uso das luvas, ou evitar efectuar essa tarefa. Se o gato for “caseiro” e alimentado exclusivamente a ração, muito dificilmente terá algum contacto com o parasita.

Se mesmo com todos os cuidados a grávida for infectada, a probabilidade de infectar o bebé é tanto maior quanto mais avançada estiver a gravidez. Inversamente, quanto mais precoce for o contágio maior a gravidade para a criança. A amniocentese confirma o diagnóstico fetal e é iniciado o tratamento. 

Adaptação dos pais nos primeiros dias de escola

11.8.14
Há pessoas que aparecem na nossa vida no momento certo, numa fase que ando com o coração pequenino com a entrada do Little na escola, a Marli que é educadora de infância entra em contacto comigo por outras questões e email troca email, fui desabafando alguns assunto de mãe que anda a chorar todos os dias na hora de deixar o Little na escola. E achei importante partilhar esta conversa com outros pais que passam e vão passar (em Setembro) pela angústia de deixar um filho a chorar na escola.
Antes de passar à conversa, uma breve apresentação da Marli, porque é importante conhecermos um bocadinho de com quem estamos a falar.
 
Marli Faria, foi nascida e criada na maravilhosa vila de óbidos, mais concretamente nos seus arredores da Usseira. Sempre teve um vocação para comunicação social o que interligou com a sua grande paixão, as crianças. Concluiu o curso de Educação de Infância em 2009 na Escola Superior de Bragança. Exerce a função de Educadora desde o ano 2009 até ao presente na grande pérola do Atlântico, a Ilha da Madeira.Sempre disposta a ajudar os outros e com grandes projetos de vida, deixa aqui algumas dicas básicas sobre o dia a dia de uma criança no ensino pré-escolar, como também alguns fatores importantes a ter em conta na vida escolar de uma criança.Não se da pela guru da educação infantil, mas anda la perto hehe .Alguma dúvida, sugestões, opiniões, não hesitem em falar :)

Adaptação dos pais nos primeiros dias de escola
Uma das principais tarefas que os pais têm nesta fase de adaptação é, primeiro todos os receios que tem ao deixar o seu filho tente não mostrar isso a frente dele. Pode ter um nó no estômago, chorar até quando sair da sala, mas sempre que o deixar que seja sempre uma despedida muito positiva e breve. Eles sentem tudo e se sentem insegurança nos pais, é muito mais provável que sintam durante o dia na escola. Segundo, e também muito importante, NUNCA mentir ao seu pequenino. Existe muito o hábito de "a mamã/papá já vem" . Isto é algo muito errado. Para além de deixar a crianças com esperanças infundadas, ela acaba por perder a confiança em tudo. 
Cada criança tem o seu ritmo e temos que saber respeita-lo, há criança que demoram uma semana a adaptar-se, outras um mês e outras muito mais. Se o trabalho for feito com paixão e dedicação tudo se resolve. 
A fase de adaptação, por vezes é mais difícil para os pais do que propriamente para os filhos. Creio que nesta fase está-lhe a custar mais a si do que ao seu pequenino, isto se não estou em erro ;) e é normalíssimo. É importante que não se martirize com isso e não se esqueça que também é uma adaptação para si, para a família.

Agora, algo muito importante, controle a sua disposição quando for deixar a sua criança. Sempre com um sorriso na cara. Independentemente quem for colocar ou buscar não é mau ou bom, simplesmente a fase de "deixar" a criança na escola é altura mais difícil do dia e podemos ficar com a sensação que estamos a fazer uma maldade muito grande. As crianças não pensam assim. 
Tenha em atenção que depois os profissionais fazem de tudo para que a criança fique bem, e ela acaba por se ambientar a sala, aos amigos e acaba por ficar muito bem na sala. Deve reparar que quando o pai vai buscar ele provavelmente esta muito bem disposto e não quer ir embora ;) é a rotina normal de uma criança. De manha é complicado deixar e a tarde é complicado tirar da sala.

(A resposta quando questionei sobre o facto de ser sempre eu a levar e o pai a deixar, fico com a sensação que a mãe é a má e o pai o herói que salva o filho) 
Não se preocupe que não é a ma da fita, nem por sombras. Tente levar a separação o mais positivo possível e ligue as vezes que forem necessárias para a escola para saber como ele esta. Vai ver que com o hábito vai chegar uma altura em que ele vai adorar ir para a escola e vai se sentir muito melhor na parte da manhã quando for coloca-lo. Tem é que trabalhar também a sua adaptação. Se achar necessário vá um dia busca-lo e vai ver que é uma mudança do dia para a noite :) claro, isto consoante com o seu horário. Até pode ser que se for o pai a colocar de manha, a adaptação seja mais calma. Ate porque os pais têm a postura mais assertiva, o que por vezes facilita um pouco o processo :)

Muita calma nesta fase. Vai correr tudo bem. Confie em si própria primeiro e depois na equipa do seu filho (o que também é muito importante, para que haja bom ambiente entre escola/casa). 
Estes são alguns dos conselhos que dou aos meus pais pela primeira vez. Até pode já saber, mas espero ter ajudado de alguma forma.

POSITIVISMO acima de tudo!