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Mães de Leiria - Dora Guilhermino

26.1.16

Ainda há tantas histórias de vida, histórias de famílias para contar e para serem partilhadas que a rubrica Mamãs de Leiria está de volta, desta vez com a honra de conhecer a Dora, a mamã que reconheceu que pedir ajuda seria a solução, que falar abertamente de depressão pós parto seria benéfico para ela e para outras mães que em silêncio sofrem. Conheçam esta família, onde a mais pequena põe à prova o amor deste casal, aliás como em todos os casais, verdade?



Apresenta cada um de vocês e identifica algumas das características/personalidade.
Mãe: Dora, 33 anos. Tenho uma qualidade que ao mesmo tempo é um defeito, sou muito perfecionista. Em muitas situações é ótimo, mas noutras é muito prejudicial. Adoro sair com os amigos à noite, ou melhor adorava... Agora o que mais gosto de fazer à noite é mesmo dormir :) 

Pai: Rui, 33 anos. Muito trabalhador e verdadeiramente apaixonado pela família, principalmente pela Carolina. Tão apaixonado que tem dificuldade em impor limites.

Filha: Carolina, 2 anos. Muito teimosa, muito persistente, muito carinhosa, muitooo comilona (numa festa é a última a acabar de comer e antes de virmos embora da festa tem de comer mais qualquer coisinha...), pouco dorminhoca (podia comer um bocadinho menos e dormir um bocadinho mais :) ). Adora cantar e dançar, principalmente com a mãe. Melhores amigas dela, a chupeta e a popota. 

Como é o vosso dia a dia/rotina diária?
Felizmente, o nosso dia não começa muito cedo. Acordamos por volta das 08:30h. O pai trata da Carolina (muda-lhe a roupa, dá-lhe o pequeno almoço e apronta para a sair da casa) e eu trato dos pequenos almoços e dos almoços, de tudo o que precisamos para sair de casa. Depois o pai vai trabalhar, eu vou levar a Carolina à creche e sigo para o meu trabalho. Ao fim do dia, os avós maternos vão buscar a Carolina à creche. E no fim de jantar vamos todos para casa fazer as tarefas de fim do dia. Como a Carolina ainda dorme mal, nunca sabemos quando vai dar uma boa ou má noite, aproveitamos para nos deitarmos o mais cedo possível para descansar o máximo.

Como é conciliar o trabalho com a maternidade? A Carolina ficou contigo até aos 15 meses, imaginavas-te a ser “mãe a tempo inteiro”?
Na altura que a Carolina nasceu, nós morávamos em Lisboa e não tínhamos apoio nenhum familiar. Durante os primeiros meses de vida dela começámos a pensar sem apoio de ninguém que iria ser muito difícil conciliar a maternidade e os trabalhos que nos ocupavam pelo menos 11h diárias (nos dias bons), com folgas rotativas. Então decidimos voltar às nossas origens. Agora é muito mais simples, mas ficamos sempre a pensar que estamos a trabalhar demais e que devíamos era estar mais tempo com a Carolina. Afinal nós é que somos os pais e não os avós. A Carolina só foi para a creche aos 15 meses por vontade da avó, que quis ficar com ela. Mas eu achei que lhe fazia bem ir para a creche para socializar e que quanto mais tarde fosse pior seria para ela. Nunca me imaginei ser mãe a tempo inteiro, mas depois de ela ter nascido tive ainda mais a certeza de que esse não era o meu papel. Eu assumo (apesar de haver pessoas chocadas com o que vou dizer) que sou daquelas mães que tem dias que está ansiosa para ir para o trabalho, para descansar do “trabalho” de ser mãe. Quando estou no trabalho quero voltar ao “trabalho” de ser mãe.



Tiveste a coragem de assumir publicamente que num período pós parto a maternidade não foi a melhor coisa que te aconteceu na vida, o que sentias? Como é que tu e quem estava próximo lidou com a situação?
A pergunta difícil... De fato o primeiro ano de vida da Carolina é um ano para esquecer. No dia que a minha filha nasceu foi o dia que entrei em depressão pós parto. Na altura não o queria assumir porque tinha vergonha. Afinal não havia motivos para eu estar assim, a minha filha era normal e saudável. Tinha um marido que me apoiava em tudo, ou melhor quase tudo... não dava mama... Então porque raio não estava feliz, quando a sociedade nos impõe que “ser mãe é a melhor coisa do mundo e que no dia que nasce um filho apaixonamos imediatamente por ele”?! Na minha cabeça apaixonar-me pela minha filha no dia do parto nunca fez sentido, porque eu nunca gosto de uma pessoa no primeiro contacto com ela, preciso de mais contactos. Mas não podia falar nada disto e muito mais que me passava pela cabeça com ninguém, à exceção do meu marido. O que as pessoas iriam dizer?!... A ele sempre lhe disse tudo, até as piores coisas que pensava. Sabia que podia confiar nele a 100%. Tudo isto era uma situação nova para os 2, não sabíamos lidar com isto e ele nunca quis valorizar muito a situação para não agravar. Mas aos 3 meses eu não aguentei mais e pedi ajuda à família, mesmo sabendo que não ia ser compreendida. E a partir daqui comecei uma longa jornada de recuperação, de muitos altos e baixos, que só passou por volta dos 21 meses. A relação conjugal sofreu muito e não é qualquer relação que supera estas situações. Hoje percebo o porquê de ter passado por tudo isto, mas confesso que precisei de ajuda psicológica e acima de tudo força de vontade. Foi difícil assumir tudo isto, principalmente publicamente, mas era muito importante para mim tentar mostrar o que passei, para ajudar quem estivesse a passar pelo mesmo. Eu procurei ajuda de pessoas que tivessem passado pelo mesmo, que tivessem recuperado e como. Precisava de ouvir “eu estive desse lado e consegui, tu também consegues”. Encontrei apenas uma familiar e uma colega da escola. E há tanta gente por aí a passar pelo mesmo sozinhas e sem apoio, o que torna tudo muito mais difícil e às vezes nem recuperam. 

Que mensagem deixas para as mães que estão a passar por uma depressão pós parto/baby blues?
Aquela que me disseram e sempre quis ouvir “tu consegues, é uma fase e vai passar, mas demora algum tempo, quanto tempo?! só depende de ti”. A cima de tudo é muito importante falar com alguém, especialmente com o marido/companheiro. Eles são o nosso maior apoio e sem eles torna-se tudo ainda pior e mais dramático. E não ter vergonha de procurar ajuda externa. Eu tomei produtos naturais, fiz n terapias e por fim, recorri ao psicólogo (e todos à minha volta me diziam que não era preciso, tenho a certeza que se tivesse ido mais cedo teria sofrido menos e durante menos tempo. É muito importante estarmos atentas aos sinais, porque se aturamos logo no inicio a recuperação é mais fácil e menos demorada. E todas nós sabemos quando não estamos bem, a maior parte das vezes não queremos admitir porque fomos ensinadas a ser supermulheres e supermães. Não precisamos de o ser. 

Os nossos filhos não querem supermães... querem apenas mães felizes!

Tens momentos em que te apetece desligar o "botão mãe"? O que fazes?

Claro que tenho! Em 3 alturas principalmente. Às 2h ou 3h quando a Carolina acorda a chorar como se o mundo fosse acabar, nós não sabemos o que fazer para a acalmar, e volta a adormecer, nos dias bons, uma hora e meia depois. Quando o despertador toca depois de uma noite dessas. Quando quero passar a tarde deitada no sofá e a Carolina quer brincar. O que faço?!... Respiro fundo, visto o meu fato de mãe e aí vou eu!


Quando pensas na Carolina, qual o maior desejo para ela?
Simplesmente que seja feliz com as escolhas dela, se o desejo dela é limpar as ruas pois que seja. O importante é ser feliz, não temos que ser todos doutores ou engenheiros. E que seja educada, com valores e que nunca desista de lutar pelos seus sonhos.

Qual o vosso melhor programa em família?
Insolarmo-nos do mundo e passarmos momentos a 3 a fazer o que realmente nos apetece naquele momento. Esquecer-nos de tudo e todos, esquecermo-nos de que “amanhã” é segunda-feira e temos de voltar ao trabalho, esquecermo-nos da maldade do mundo, vivermos o momento aqui e agora.

Perdes a cabeça com…. 
A teimosia da Carolina, se é assim com 2 anos imagino na adolescência...

Amas quando…. 
A Carolina me chama mãe e diz que gosta de mim, muito... muito muito... J

Ser Mãe é… 
Cantar e dançar muito; dormir pouco; comer a comida fria; não ter tempo de me arranjar para sair de casa; perder a paciência mais vezes do que o meu normal; não passar tardes inteiras a ver filmes; pensar todos os dias se tomei as decisões certas na sua educação; viver permanentemente na dúvida... e ainda assim ser MUITO feliz!!!

Obrigada Dora pela sinceridade, pela abertura, pela partilha. Tenho certeza que ajudaste muitas de nós a perceber o que se passa quando não amamos de imediato aquele pequeno ser, que afinal não somos extraterrestres, que há muita boa mãe que passou pelo mesmo. Beijinhos e a Carolina é gira que se farta, tens que ter só mais um bocadinho de paciência ;)

Fotos by Sara Martins

Mães de Leiria - Fátima Montenegro

14.4.15
Fátima Montenegro, mãe de um cozinheiro de três anos e de um engenheiro de dois. Já mostrou à vida que está aqui para ficar, aprendeu o quanto é importante valorizar os pequenos momentos. Aos filhos transmite a mensagem que nem todos os dias são rosas, mas que juntos conseguem vencer.




Apresenta cada um de vocês e identifica algumas das características/personalidade.
A Fátima e o Bruno conheceram-se no Porto, durante a faculdade.
Ela: 31 anos, muito teimosa, impulsiva e pragmática. Adora fazer novas amizades.
Ele: 33 anos, muito ponderado, extremamente perfeccionista.
Uma farmacêutica e um médico dentista que falam, inevitavelmente, de saúde e não só.
Ela, como transmontana de gema, gosta de cozinhar e ele, leiriense (nascido em Coimbra, como a maioria), aprecia boa música e fotografia.
Estes somos nós!
Mas as verdadeiras estrelas da família são dois meninos lindos (sou uma assumida mãe coruja, com orgulho), o Guilherme e o Gabriel.
O Gui tem 3 anos, quer ser piloto e cozinheiro. Já tem uma namorada. Adora ajudar, é reguila e vivaço. Está sempre pronto a experimentar coisas novas, desde comida a desporto.
O Gabo tem 2 anos e jeitos de “engenhocas”. Tudo o que implique botões e comandos é com ele. Gosta muito de cavalos, de chocolate e de pregar partidas.

Como é o vosso dia-a-dia/rotina diária.
Cá em casa o dia começa cedo, mas vamos acordando por etapas. Cada um de sua vez e (quase) sem despertadores.
Os miúdos vão tomar o pequeno-almoço e depois preparam-se para ir para a escola. Ter dois filhos com idades tão próximas (14 meses de diferença) ensinou-me a ser prática no dia-a-dia. Por norma tomam banho à noite e escolhem a roupa para o dia seguinte.
Sempre que podemos vamos os dois levar os miúdos à escolinha. Andam no Fraldinhas e gostam imenso.
Ambos temos o privilégio de trabalhar em áreas que gostamos imenso, o que ajuda a superar os desafios diários.
No final do dia começa a “hora de ponta” cá em casa. Costumo ir eu buscá-los à escola e depois iniciam-se as hostes: jantar, banhos e brincadeiras!
Tentamos jantar os 4 em simultâneo, mas quando não dá, os pequenotes vão comendo primeiro e depois ficam a brincar enquanto os “crescidos” jantam.
Na hora de deitar (cerca das 22h, aproximadamente) costuma ir o pai com eles. Dormem os dois no mesmo quarto, o que torna a logística bem mais simples. Costumam pedir ao pai para lhes cantar músicas da tuna da faculdade. Ele, encantado, acede ao pedido e eles vão embalados para a terra dos sonhos.

Quando pensas no Guilherme e no Gabriel, qual é o maior desejo para eles.
O meu maior desejo para os meus filhos é que sejam felizes.
Que vivam a vida, experienciem o máximo que puderem até encontrar aquilo que gostam realmente e que depois conquistem os seus objetivos, com a certeza de que aquele é o caminho.
Espero educá-los e orientá-los o melhor possível. Mas estando sempre aqui, enquanto mãe e amiga, para os consolar e motivar se for necessário.

Viveste um acidente automóvel muito grave quando estavas grávida do Gabriel, de alguma forma passas-te a viver a maternidade de outra forma?  
Sim, completamente.
Em 2012, eu grávida de 10 semanas e o Gui com quase 9 meses de idade, tivemos um acidente de carro. Foi no IC2, junto da Ferrus e embatemos contra 2 camiões TIR.
O Gui foi protegido (e salvo) pela cadeirinha, o Gabo (na altura ainda não sabíamos que seria menino) pelo meu corpo e eu… Fui protegida pelos airbags do carro, o melhor possível. Na verdade não parti nada fisicamente, mas sofri um traumatismo craniano, que me paralisou o lado direito do corpo.
Nos meses que se seguiram passei por um turbilhão de sentimentos: desconfiança, tristeza, incredibilidade, raiva e resignação. Porém o meu marido nunca me deixou desistir. Ele é o verdadeiro herói da história, pois puxou por mim e fez de mim o que sou hoje.
Ainda tenho algumas sequelas ligeiras a nível motor, mas que vou superando aos poucos. Tive a sorte de ter uma excelente e muito paciente fisioterapeuta, a Sara. Hoje em dia minha amiga, acreditou sempre que eu voltaria a andar, contra todos os prognósticos.
Hoje em dia valorizo, ainda mais, cada momento passado em família. Agradeço cada dia que passamos juntos. Realmente aprendi a dar valor às pequenas coisas da vida.
Claro que quero transmitir aos meus filhos que a vida não é sempre um mar de rosas, mas como lhes costumo dizer “Juntos, a gente consegue”. Porque o mais importante é haver muita união e apoio. O resto é “paisagem”. Uns dias melhores, outros piores, mas sempre com um beijinho de boa noite e um “estou aqui e gosto muito de ti”.

És a criadora e mentora do projeto Passitos, qual o objetivo?
A Passitos surgiu através da necessidade de responder às dúvidas das mães, principalmente as de primeira viagem.
Baseio-me nas dúvidas que eu própria tenho e naquelas que me colocam ao balcão da farmácia. Pretende ser um apoio na etapa de maternidade e primeira infância. Por vezes as mães têm dúvidas mas não sabem muito bem a quem hão-de perguntar. Ao pediatra?! À enfermeira?! À nutricionista?!
Rapidamente se juntaram a mim outros profissionais de saúde, todos com um mesmo objectivo: ajudar as mães (e pais) a superar este enorme desafio que é o de educar uma criança.

Como profissional ligada à área da saúde, achas que os pais de hoje são demasiado protetores no crescimento e educação dos filhos?
Penso que são mais protectores do que aqui há umas décadas, mas também porque as circunstâncias assim o exigem. Hoje em dia os miúdos usam cadeirinhas para andar de carro, capacete para andar de bicicleta ou trotinete, põem protector solar para ir brincar no parque e desinfectam as mãos com álcool-gel se tocarem em “algo estranho”.
Na minha opinião, nos nossos dias vivemos em contacto permanente com perigos vários a nível de saúde pública e, se pudermos proteger as crianças disso, melhor.
Qual o pai que ficaria de consciência tranquila se não comprasse a cadeirinha que melhor protegesse o seu bebé de um embate de carro, por exemplo? Temos o privilégio de saber muito mais do que aqui há uns anos, por isso acho que é muito positivo que apliquemos isso.
Mas também admito que há exageros. Por exemplo, tornou-se banal diagnosticar uma criança com hiperactividade, quando na realidade ela apenas está a fazer o que uma criança faria. A explorar e a conhecer o mundo, a aprender com a tentativa/erro e a aprender a conhecer-se. A mim custa-me que estejamos a criar adultos em miniatura.
Uma criança não é suposto ficar as 2 horas de um almoço de grupo sentada à mesa, a portar-se impecavelmente bem, distraída com um tablet e a falar apenas quando solicitada. Se assim for, algo de muito grave se passa com a sua saúde social. É suposto pedir para sair a cada 2 minutos, pedir mousse de chocolate em vez de sopa, mandar pedacinhos de pão pelos ares e, se for caso disso, partir um copo sem querer. Não precisa de tomar medicação por estar a ser genuína. Como eu costumo dizer “Deixa fazer agora, que aos 40 já parece mal”.


Tens momentos em que te apetece desligar o "botão mãe"? O que fazes?
Os miúdos, por vezes, tiram qualquer um do sério e é necessária muita paciência. Estou a aprender dia-a-dia o meu papel enquanto mãe, e eles enquanto filhos. Sim, por vezes há falhas. Mas eu nunca me arrependi. Optámos por ter 2 filhos com idades próximas, mesmo tendo consciência de que seria um grande desfio.
Desde criança que, ao responder à pergunta “O que queres ser quando fores grande?” eu respondo “Mãe!”. E, na verdade, adoro a maternidade. Sim, por vezes é cansativo. Sim, por vezes grito com eles desnecessariamente. Sim, é lindo e enriquecedor!
Quando os miúdos vão dormir a casa dos avós aproveitamos para namorar um bocadinho. Vamos jantar fora, passear… mas voltamos cedo para casa. Acho que já não conseguimos viver sem eles e rapidamente ficamos cheios de saudades. Ultimamente temos ido ao cinema. Ambos gostamos bastante.

Perdes a cabeça com...
Mentiras. Detesto ser enganada!

Amas quando...
Faço os outros felizes. Adoro organizar festas e surpresas. Gosto de fazer sorrir!

Ser mãe é...
O derradeiro desafio enriquecedor, onde nos é dado o privilégio de criar e educar um ser humano, através de amor puro e genuíno.

Obrigada Fátima!!

Mães de Leiria - Elsa Brilhante

14.1.15
Família Brilhante, a mãe de sorriso fácil, gosta de viver intensamente a amizade e o amor, crente na vida e nas pessoas, tem nas mãos um dos maiores desafios da vida, fazer tudo o que tem ao seu alcance pela felicidade e futuro do João, sem nunca descurar toda a família.



Apresenta cada um de vocês e identifica algumas das características/personalidade.
Começo pelo João que é um menino de 4 anos de sorriso fácil e muitas vezes maroto também. O João adora miminho, adora livros, cada virar de página faz com que a sua respiração fique acelerada, um carrinho rapidamente lhe chama a atenção mas se a Kity que é a nossa gata se atravessa para saltar para cima do sofá acaba por ser a merecedora de toda a sua atenção. O João irradia uma luz muito própria, é um ser muito especial consegue realçar o melhor que cada um traz dentro de si.

O Gabriel é o irmão mais velho em que os 11 anos assentam na perfeição na sua ingenuidade, mas que ao mesmo tempo destoam pela maturidade que o João trouxe à sua vida. É um menino de bom coração, um pouco introvertido quando não se sente à vontade. Tem um lindo sorriso que condiz com o olhar meigo com que cuidadosamente troca a babete ao mano, sente-se realmente o ar de irmão mais velho e protetor quando um minuto basta para compreender a cumplicidade que os une. O Gabriel consegue perceber quando estou triste, apesar do meu sorriso rapidamente sou descoberta pelo seu sexto sentido.

O Carlos é um homem de princípios, um homem de valores que agora são muito raros ver por aí, talvez por isso faça dele o pai e o marido que eu amo tanto. O Carlos é muito protetor, tanto como pai como marido e é ele que muitas vezes me traz à terra quando a minha imaginação e a minha versão sonhadora me tentam levar a melhor. O Carlos dá-me a segurança e o amor que preciso para ser feliz, ama os nosso filhos e é muito consistente na forma como encara a educação.

Agora eu, eu nunca fui de desistir de nada. Confesso que adoro desafios, vivo com objetivos. Tenho necessidade de ter um dia cheio, não sei estar na vida de outra forma. Sou uma mulher de sorriso fácil e acho mesmo que o João tem a quem sair. Gosto de viver tudo de forma intensa quer amizade quer o amor. Arrisco muito. Adoro fazer rir as pessoas que me rodeiam, fico feliz se os meus amigos são felizes. Sou teimosa, persistente, sonhadora, crente em mim e nos outros (às vezes demais nos outros).Tenho o coração demasiado perto da boca. Sou uma mulher que adora receber mas vibra muito mais com o dar, sou por vezes demasiado transparente e não é preciso muito para alguém mais atento perceber o que afinal esconde o meu sorriso num dia menos bom.

Como é o vosso dia a dia/rotina diária
A euforia total…Presentemente estou de baixa para assistir o João. O Carlos é o primeiro a acordar e a sair de casa. Eu acordo ás 7.20 para acordar o Gabriel e orientar o pequeno almoço. O transporte do centro de estudos que o Gabriel frequenta passa na nossa porta as 7.50 para o levar para a escola e a partir daí fico descansada pois no final do dia é o mesmo transporte que o leva que o traz novamente para casa as 19.00, de outra forma não conseguia fazer face à rotina da fisioterapia do João. Depois do Gabriel sair tomo o meu banho enquanto o João ainda dorme, só depois o acordo e visto para ir para a escola. Depois de os miúdos estarem na escola é tempo de dar um jeito em casa, fazer camas, orientar jantar e roupas. Por volta das 14h00 lá vamos nós para mais uma sessão ou mais sessões de terapia na Kinesio em Espinho. Regressamos a casa por volta das 17.00 e é hora de responder às mensagens da pagina do João, colocar fotos das terapias e ler os comentários…e rapidamente chega a hora de fazer o jantar…entretanto chega o Gabriel e o Carlos 
Fazemos questão de estar juntos na sala antes de começar a sessão de banhos ....pijamas...lavar dentinhos…enfim o terminar de um dia sempre cheio.

És mãe de uma criança especial, como foi descobrir e enfrentar o diagnóstico do João?
O João nasceu de cesariana era para todos um bebé dito normal, no dia da alta apenas ficaram consultas marcadas para controlar o perímetro cefálico que era um pouco inferior ao normal mas o João era todo ele pequenino…Aos dois meses de idade numa das ecografias a médica desconfiou de algo e pediu que fizesse uma RM ao João. Nessa altura estremeci estava sozinha com o João, mas sem hesitar perguntei à medica se o João poderia ter uma deficiência, com o olhar e um sim tremido a médica respondeu à minha pergunta. A consulta ficou marcada para um mês depois para sabermos o resultado. No dia da consulta o Carlos foi comigo e foi nesta consulta que a médica nos disse que o João tinha uma polimicrogiria (uma malformação cerebral em que os neurónios não migraram para o sitio correto dando assim um atraso psic-motor). Ainda hoje não sei o que eu e o Carlos dissemos um ao outro a caminho do carro, foi como se o meu cérebro apagasse o maior momento de dor da minha vida. Sei que durante 6 meses vegetamos na vida, fizemos o nosso luto após procuras esgotantes de sinais de normalidade no desenvolvimento, nas posturas do João. O que mais nos trazia a realidade era o facto de não segurar a cabeça e não se sentar. Não é fácil aceitar uma realidade assim, achamos sempre que só acontece aos outros. Após o nosso tempo de recuperação a este balde de agua fria e porque cada pai tem o seu tempo, enfrentamos a nossa realidade atendendo às necessidades do João. Para traz fica uma notícia como esta dada no hospital sem direito a acompanhamento psicológico, um encaminhamento tímido para uma estimulação precoce para Inglês ver e uma revolta com um sistema de saúde que não atende a nenhuma das necessidades de uma criança com deficiência.


Com o objetivo de melhor a vida do João, pediste ajuda ao mundo. Foi uma decisão difícil? 
Após constatar que o estado daria ao João uma sessão de fisioterapia por semana, e tendo eu mergulhado em pesquisas e mais pesquisas na net devido à falta de definições e explicações sobre a doença do João sabia que tinha de agir, pois um menino como o João precisa de trabalhar diariamente para que as células que não estão afetadas façam o trabalho de assegurar a competência das que estão. Somos uma família com orçamento familiar baixo, nunca conseguiria fazer face a fisioterapia a nível privado sem ajudas. Apenas as pessoas mais próximas e família sabiam do caso do João. Sabia que tinha de gritar ao mundo um pedido de ajuda, meti o medo de me expor e uma vergonha estúpida no bolso e abri um grupo no facebook a expor o caso. Nessa altura ainda nem tinha aberto conta bancaria para o João e pensei que apenas amigos se juntassem ao grupo. Após uma hora já tinha 400 membros. Foi uma decisão difícil pois sabia que a partir daquele momento a minha vida seria um livro aberto para quem quiser ler, a privacidade deixou de existir pois se queres ajuda tens de te mostrar ,ser transparente para que as pessoas acreditem e apoiem a tua causa.

O grupo do facebook 'Vamos ajudar o João' tem sido uma grande fonte de divulgação e de ajuda, fala um pouco deste grupo.
Sim este grupo foi um iniciar de conquistas Já com nib exposto as ajudas começaram a surgir, e o João conseguia fazer 3 vezes de fisioterapia por semana com um terapeuta cubano que se deslocava ao infantário, pois eu ainda trabalhei durante os primeiros 3 anos. Depois surgiu a ideia de ir a Cuba e muitos eventos se fizeram. O maior de todos foi o São João Brilhante no Jardim junto ao antigo café ócio que era de uma grande amiga minha e que foi também a criadora da página Todos Juntos pelo João que se mostra ao mundo como um coração azul também da sua autoria. O grupo do João foi perdendo audiências face á página do João e atualmente Todos juntos pelo João é onde podes seguir tudo o que nos diz respeito. No fundo 10 mil membros não significam 10 mil ajudas, havia pessoas que eram adicionadas e nem faziam ideia do que se tratava. Assim a pagina ganha gostos apenas se alguém tiver interesse em seguir.




Como lida o Gabriel com a vossa luta para proporcionar uma futuro melhor ao João? 
O Gabriel sempre foi um menino muito sensível, e com a chegada do irmão que não era bem o que esperava foi obrigado a fazer o seu luto também. Antes sentia o Gabriel envergonhado quando as pessoas ficam especadas a olhar para o João, agora sinto o orgulho com que quer passear o João na sua cadeira, a despreocupação com quem olha ou deixa de olhar quando o João deixa cair mais a cabecinha ou quando se troca a babete. O Gabriel diz à boca cheia que gosta do João tal e qual como ele é. Sei que o Gabriel será sempre o seu melhor amigo e isso dá-me um conforto emocional e leveza na minha alma.


Quando pensas no Gabriel e no João qual é o maior desejo para eles?
Quero acima de tudo que sejam felizes como são agora, pois arrisco a dizer que o João apesar da sua condição é um menino muito mais feliz do que certas crianças ditas “normais”. Quero que saibam respeitar o próximo, saibam viver em paz. Quero que acordem sempre com um sorriso para a vida, quero que se inspirem nas dificuldades da vida e alterem o significado das mesmas para alegrias e conquistas. Quero que o verbo desistir não faça parte do vocabulário nem de um nem de outro. Quero que me lembrem com orgulho e como exemplo quando pensarem que algo não vale a pena. Quero que deem valor aos momentos, porque a vida é isso mesmo. E especialmente para o João desejo atingir o máximo de autonomia que a doença permitir. Se o João não puder falar que seja capaz de comunicar com um tablet, que consiga agarrar num copo para beber água, que se não puder andar que seja capaz de conduzir uma cadeira elétrica. Isto é um desejo de mãe quando o luto está realmente feito e apesar de lutarmos com todas as forças para vencer a doença, conseguimos aceitar a condição do João e apenas lhe queremos dar o melhor de uma vida.

Perdes a cabeça com... 
Falta de humildade, hipocrisia, falta de respeito e o lugar de estacionamento para deficientes ocupado por um carro sem dístico em que a pessoa que o conduz tem realmente a maior deficiência do mundo..a estupidez.

Amas quando... 
Sinto que as pessoas se sentem bem ao meu lado. ..Quando chega ao fim de semana e estamos os quatro juntos sem horários…tomamos o pequeno almoço juntos ao domingo…quando o João sorri e os olhinhos se derretem de mimo..quando o Gabriel diz que me ama muito e quando eu e o Carlos estamos por algum motivo a discutir um assunto e de repente nos desmanchamos a rir..

Ser mãe é...
Ser mãe é fazer tudo por um filho, poder olhar para trás e saber que nada mais podia ter sido feito para que neste caso a condição do João melhorasse...é apesar de não descurar da nossa imagem e de nós próprios a  prioridade na vida ser realmente o bem estar dos seres que colocámos no mundo.

(Tenho que agradecer à Catarina Paz por me ter apresentado a Família Brilhante e por me ter ajudado a escolher as perguntas certas a fazer. Esta é uma família com força, que nos faz pensar que alguns dos nossos problemas estão só mesmo em nós, que ser feliz depende da nossa vontade e força. Obrigada Catarina e Elsa!) 

Mães de Leiria

16.12.14
Não posso deixar de dizer um muito OBRIGADA a todos as mensagens que deixaram ao longo deste tempo às Mães de Leiria. Foram mensagens de carinho, apoio, admiração e votos de muitas felicidades e alguns votos de mais bebés :) Todas as vossas mensagens fazem-me acreditar que vale a pena o tempo que dedico às Mães de Leiria. 
Partilhas de experiências únicas, partilha de desejos, medos, receios e sonhos para os filhos, perdemos a cabeça com e ser mãe é, estas são alguns dos temas desta rubrica. Famílias tão diferentes e todas com o mesmo objectivo, criar, educar, amar da melhor forma os filhos. E tentar que no meio do desafio que é criar um filho, ficar com o mínimo de cabelos brancos :) 
Espero que 2015 traga muitos bebés e novas mães a Leiria, porque Ser Mãe de Leiria é muito bom!! 






Mães de Leiria - Sílvia Coelho

1.12.14
Hoje conhecemos mais um bocadinho de uma mulher e mãe que acho, que acho não, que tenho certeza, ser um exemplo para outras. Lutou contra o bicho mau, agarrou-se à vontade de viver e de ver o filho a crescer e venceu. Sempre com a felicidade no rosto, linda como nunca e com uma família cheia de pinta. 

Apresenta cada um de vocês e identifica algumas das caracteristicas/personalidade.
Somos os 3 apaixonados pela vida, quase que me atrevia a dizer que somos almas gémeas... Começo pelo Rodrigo que por enquanto é o nosso único filho, um querido de sorriso fácil, com um ar de menino feliz e com a inocência à flor da pele. Tem só 3 anos e já é um gozão, tudo é motivo para galhofa... Tem uma personalidade muito engraçada, também é muito mimalho, calmo, inteligente, organizado, mesmo assim sendo, eu continuo a ser exigente com ele, com a educação dele. Agora anda numa fase um pouco mais reguila e teimoso mas sempre bem disposto.

O pai Miguel é um pai babado e um marido para a vida... Trabalhador nato e de sucesso, inteligente, ambicioso, humilde, amigo, responsável (de cabeça no ar), honesto, pacífico, optimista e brincalhão. É o pilar da minha maravilhosa família, é uma pai e marido liberal que nos enche de vida, que nos dá vida e nos deixa viver a vida... É o maridão da minha vida.

Agora a mãe Sílvia (é difícil falar de mim), vou começar pela parte menos boa, sou muito exigente, refilona e sentida... Mas depois é só coisas boas, sou muito amiga do meu amigo, simpática, brincalhona, responsável, humilde, sonhadora, determinada, posso não saber o quero, mas o que não quero, não há dúvidas!

Como é o vosso dia a dia/rotina diária.
Normalmente por volta das 8h30 é a hora de acordar do Rodrigo, vamos juntos tomar o pequeno almoço e enquanto vê o Panda vou tratar da minha beleza, o pai Miguel sai as 8h por isso a manhã não é partilhada connosco. Como neste momento o meu ritmo é mais lento (pela condição física) levo o Rodrigo às 10h ao Jardim do Fraldinhas, agora com as novas actividades da sala nova (piscina, dança, ginástica, música) o entusiasmo todos os dias é diferente. O dia costuma terminar habitualmente por volta das 17h30, mas sair de lá nem sempre é tarefa fácil, "mamã quero brincar mais um cainho", às tantas até já eu me sento no chão a brincar. Para mim a educação e evolução do Rodrigo é um ponto muito importante e claro um colinho bom, daí a nossa escolha do Jardim do Fraldinhas (como é lógico sem querer desqualificar os restantes jardins)...esta foi a nossa escolha:) Como o pai Miguel também trabalha aos sábados, passeios a 3 só mesmo ao Domingo, mas esse dia é para fazer TUDO o que ele gosta, comer doces, correr, saltar, ver os amigos (que não os da salinha), ir ao shopping que ele adora ir ver os livros, enfim lambuzar o nosso dia com tudo o que nos faz feliz.

És uma vencedora da luta contra o cancro, em que medida é que o Rodrigo te ajudou nesta fase?
Cancro? Só acontece aos outros... Mentira! Quando me foi diagnosticado (por sinal no dia do meu aniversário) a minha primeira pergunta foi: "E agora?????", "E o meu bebé???", "E eu? Não o vou ver crescer?", "E no dia da mãe?" e os "mimos de mãe à noite que só eu sei fazer?" É  verdade, o mundo desabou... Cheguei a casa olhei para ele, tão pequenino, tão frágil, tão inocente e pensei: "Sílvia... estás com uma batalha em mãos (e eu ainda mal sabia o que me esperava) e é para vencer. E assim foi, o sorriso diário dele, toda a evolução, as primeiras palavras, os beijinhos até os trabalhinhos de casa que ele trazia do Jardim do Fraldinhas foram muito importantes. Tudo, mesmo tudo foi por ele e só por ele (quem é mãe percebe), como é lógico tive pessoas MUITO importantes (elas sabem quem são), mas o Rodrigo deu-me a força e coragem para enfrentar TUDO, depois a cura foi acreditar... Eu Consigo...

Apesar dos 15 meses do Rodrigo, ele percebeu que a mãe estava doente? Como reagiu?
Como é óbvio às crianças nunca lhes passa nada ao lado, quando chegou o momento de partilhar a falta de cabelo, não foi fácil para todos, pois seria o momento crucial de que eu era efetivamente uma doente oncológica, foi como um start, o Rodrigo ao primeiro impacto rejeitou o meu colo, olhava-me com cara de medo, mas como usei prótese capilar, baralhei um pouco o R, entretanto já puxava o cabelo dele. Mas com rapidez percebeu a realidade, umas vezes a mamã era o "Ruca" outras vezes era normal... Mesmo quando numa fase mais complicada tive que usar diariamente máscara, foi super tranquilo, acho que no meio do azar, tive muita sorte de ele ser pequenino. Durante os tratamentos houve alturas em que tive ausências grandes, fiquei muito preocupada e na consulta com o pediatra, questionei e logo me tranquilizou visto que nessa idade as crianças ainda não têm a noção do tempo, no fundo as crianças são uma força da natureza, que se adaptam melhor do que os adultos e isso posso confirmar.

Que mensagem deixas para as mulheres/mães que receberam um diagnóstico destes.
É muito simples, vão ao médico com regularidade, não são só as pessoas que têm casos na família que podem ser doentes oncológicos, o meu caso é isolado e aconteceu... Tive muita sorte de me cruzar com o dr Victor Melo que foi o meu Anjo, devo a vida aquele SENHOR. E muito importante, depois de um diagnostico positivo, a coragem, determinação, vontade de vencer/viver é a base para o sucesso e acreditar SEMPRE....

Uma mensagem para os maridos, deixo um refrão de uma música:
"Vamos fazer assim, eu cuido de você, você cuida de mim.
Não desisto de você e nem você de mim.
Vamos até ao fim. “
(Lucas Lucco)

Quando pensas no Rodrigo, qual é o maior desejo para ele.
Sem dúvida que lhe desejo o melhor do mundo, que seja uma criança/adulto feliz, saudável, que saiba aproveitar o melhor que a vida lhe dá ou proporciona, que nunca esqueça a educação e valores que lhe são transmitidos... Mas o meu coração diz-me que isto tudo realmente faz sentido se eu e o pai estivermos ao lado dele...uma família unida, e estamos... Como diz o pai Miguel "Agora veio a bonança".



Tens momentos em que te apetece desligar o "botão mãe"? O que fazes?
O Rodrigo é uma criança que considero "fácil", mas a casa da avó costuma ser a "escapadinha", ficamos todos felizes e nós pais dedicamos um tempinho a nós... O Rodrigo, não só por isto mas por tudo, tem a melhor avó que eu poderia pedir, é minha mãe e basta.

Perdes a cabeça com...
Perco a cabeça com a falta de humildade, sensibilidade dos adultos e das birras de cair ao chão das crianças... é a realidade.

Amas quando...
Amo quando de braços dados damos um beijinho a 3.

Ser mãe é...
Já venho a dizer há muito tempo que ser mãe é, ter o coração fora do meu corpo.

É saber que a minha vida é tão mas tão importante para ele que jamais desistia dela.

É descobrir que este amor puro e genuíno, todos os dias nos ensina coisas novas.

É olhar para ele e no silêncio do olhar perceber o que quer e o que sente.

É fingir que não temos medo de virar o mundo.

Ser mãe é ser mais feliz do que jamais um dia sonhei ser!

Obrigada Sílvia pelas palavras de força, coragem, vida!
Fotos by After Click

Mães de Leiria - Catarina Paz

24.9.14


Já vos disse que adoro estas entrevistas? Não? Então digo que gosto mesmo muito, adoro ler o que cada uma de nós tem a dizer sobre o mesmo tema, a partilha de experiências, por isso mantenho alguma das perguntas. Aprendo com cada uma das respostas, espero que vocês também. 
Hoje temos a mamã Catarina e a lindona da Benedita, quer dizer a mamã também é bem bonita. Diz-se apaixonada mas que isso não a faz perder a cabeça na hora de ser exigente com a Benedita. Conheçam mais um bocadinho esta dupla de lourinhas ;) 



1.Apresenta cada um de vocês e identifica algumas das características/personalidade.

Somos duas almas de bem com a vida, brincalhonas e sociáveis por principio.
A Benedita como é próprio da idade é muito teimosa e tenta levar tudo à sua maneira , independentemente de quem seja a ordem. Tem uma personalidade fortíssima. Mas assim como é durona também é muito meiguinha. Faz amizades com muita facilidade e demonstra carinho com todas elas.
Tenho muito orgulho nela pelo facto de lhe ter transmitido o respeito por todos que sejam diferentes, independentemente de raça, aspecto e idade. Abraça de igual forma qualquer um destes desde que corresponda à simpatia dela.
É uma menina decidida, feliz e que vive no mundo da fantasia, adora andar a desfilar roupa, principalmente se for de princesa, fada e outras carnavalescas.
Parece-me que temos personalidades muito parecidas, algo que eu acredito que lhe vai sendo transmitido com a nossa vivência. 
Para mim a educação da Benedita é uma prioridade, a felicidade dela e a formação. Por isso sou muito exigente com a educação e o respeito pelo próximo. Sou muito firme e nem sempre concordam com a forma como lido quando me torno intransigente em determinadas situações, isto porque eu não cedo e não permito que ela me vença pelo casaco.
Ser Mãe é um desafio muito aliciante e que dá muito trabalho.


2. Como é o teu dia e rotina, com a Benedita? 

A Benedita entrou numa escolinha nova, agora perto de casa. De manhã depois do leitinho tomado no sofá a ver os bonecos com um bocadinho de mimos partilhados, lavamos os dentinhos colocamos um bocadinho do perfume das princesas e ai vamos nós a pé para a escolinha que fica a 3 minutos de casa. Quando a deixo, fica sempre bem o que me facilita sempre a partida depois do meu beijinho.
Ao fim do dia normalmente a minha Mãe vai busca-la à escola e depois quando saio do trabalho passo em casa dela a busca-la. Dois dias por semana vai ao ballet que ela adora e é lá que a vou buscar, depois da minha mãe ter feito o papel de avó perfeita, apaixonada e ter vestido e penteado a menina a rigor
Ao fim de semana vamos a casa dos outros avós e a casa de amigos, ou então recebemos em nossa casa. Temos uma vida social muito preenchida e temos sempre coisas para fazer. 
Eu procuro estar a par de todas as ofertas de histórias, teatros e actividades que possam surgir e felizmente em Leiria encontro sempre coisas interessantes para fazer. 


3. Como é conciliar o trabalho com a maternidade?

Já passei várias fases, porque tive um café junto a um jardim e durante muito tempo a Benedita cresceu perto de mim a apanhar flores e a brincar com todos os meninos frequentadores daquele espaço, mas não tínhamos tempo para “namorar” em casa. Depois fechei o café e estive a trabalhar num supermercado com horários rotativos e sem fins de semana, contei sempre com a ajuda dos avós, o que fez desta fase os tempos mais duros. Entretanto consegui um emprego com horários equivalentes ao da escolinha e agora aproveito todos os segundos e valorizo as noites e os fins de semana em família. Adoro sofazar. 


4. Qual o melhor programa em família? Achas que Leiria tem programas/ actividades e locais interessantes para as famílias? 

Leiria é uma cidade maravilhosa para as crianças e para a família. É só preciso estar um bocadinho atento. Tem alturas que nem conseguimos aproveitar todas as ofertas da cidade. 
A Câmara de Leiria tem muita sorte em alguns grupos de munícipes que desenvolvem ideias que fazem a nossa cidade brilhar. Desde o mega pic nic dinamizado pelo festival “A Porta” que vai decorrer dia 5 de Outubro, as intervenções de “we are happy from Leiria”, da “Associação Fazer Avançar”, as histórias e actividades dinamizadas pela Biblioteca Municipal de Leiria, teatros e musica pela cidade, há sempre algo a acontecer.




5. Tens momentos em que te apetece desligar o “botão mãe”? O que fazes?

Sinceramente … uma palmada e é o quanto basta. Porque ser Mãe é um desafio principalmente nos momentos mais difíceis, é aí que eu estou a educar e eu não desisto disso.


6. Quando pensas na Benedita, qual o teu maior desejo para ela? 

Desejo essencialmente o que toda a Mãe deseja, que ela seja muito feliz, realizada e com valores para que possa ser respeitada.


7.As crianças têm a capacidade de muitas vezes envergonharem os adultos com as suas histórias engraçadas. A Benedita já te fez isto? 

As crianças são criaturas inocentes, é obvio que surgem comentários tipo, “tu és careca” ou “gordo”. Há pouco tempo vimos um senhor com uma deficiência e ela questionou-o e eu percebi afastada, claro que fiquei envergonhada, mas infelizmente ela não informa as pessoas de nada que eles não saibam. E ela própria vai-se apercebendo que as pessoas ficam constrangidas. Por tanto eu acho que já lido bem com isso. Na verdade ela envergonha-me mesmo é quando se porta mal e faz birras.

8. Perdes a cabeça com…. Falta de educação.

9. Amas quando…. Eu amo sempre … até quando estou furiosa me apetece enche-la de beijos.

10. Ser Mãe é... um desafio ... Ser Mãe é o Maior de todos os desafios.

Obrigada Catarina!! 

Fotos de Zito Camacho

Mães de Leiria - Alexandra Azambuja

7.7.14



Alexandra Azambuja, mãe de uma Matilde vegan com 15 anos e de uma Laura perguntadeira. Não se considera uma mulher típica da idade dela e sempre que a realidade não lhe agrada faz alguma coisa para a mudar, ou pelo menos tenta.


1. Apresente cada um de vocês e identifique algumas das características/personalidade.

Sou uma Mãe tardia - aos 35 e 44 anos. Tendo vivido em 29 casas, diversas cidades e dois países, filha e neta de casais divorciados e anti-clericais não sou propriamente uma portuguesa típica da minha geração; trabalho em Publicidade, tenho 51 anos, organizo uma família monoparental e quando a realidade não me agrada, bem... tento mudá-la :))
A Matilde tem agora 15 anos é uma adolescente tranquila, uma aluna regular e desde há um ano vegan por opção; desenha particularmente bem e vai estudar Artes Visuais no secundário, já em Setembro. Tem imenso talento para cozinhar e como qualquer menina desta idade vive ligada no telemóvel, gosta de estar com as amigas e de se divertir.
A Laurinha tem 7 anos, é a perguntadeira-mor, nasceu com uma curiosidade insaciável e é bastante divertida. Tem uma verdadeira legião de fãs na minha página do FB por causa das perguntas e comentários originais que produz habitualmente. É dada a amuos e tem o mimo próprio de ser a última de 7 irmãos, espalhados por várias famílias...


2. Como é conciliar o trabalho com a maternidade?

Concilio bem, agora que tenho um regime quase só de teletrabalho, mas já tive épocas em que tive de organizar eventos a partir do telemóvel na varanda da pediatria do Hospital de Leiria com a minha filha mais velha internada...
Não é fácil, nos tempos que correm, dizer não à sobrecarga de trabalho, aos horários de trabalho que entram pela família adentro, mas devemos ter presente que nem as crises duram sempre, nem o trabalho pode ocupar o lugar do que realmente importa: os filhos. Embora seja um equilíbrio que se constrói diariamente, é preciso nunca perder de vista as prioridades.


3. Qual o melhor programa em família? Acha que Leiria tem programas/ actividades e locais interessantes para as famílias?

O melhor programa em família é estarmos juntas. Não fazemos há alguns anos saídas regulares porque envolvem despesas que a contenção económica desaconselha, mas vivemos bem em casa com algumas idas à baixa de Leiria. A Matilde vai regularmente a Lisboa onde vive o Pai e aí explora a cidade e a grande oferta cultural que existe. A Laurinha vai aos fins-de-semana para o Pai que vive em Leiria e passeiam sobretudo pelos roteiros mais naturais.
Leiria não tem grande oferta qualitativa para as famílias, mas comparado com o deserto que já foi está bastante melhor; tendo em conta a demografia portuguesa e a nossa História, o lamentável atraso que o país tem não é de estranhar; assim sendo, a oferta de uma cidade como Leiria é só uma parte daquilo que Portugal tem para nos oferecer: pouco.
Saliento pela positiva a devolução à cidade do Mercado de Santana, a revitalização de um espaço que foi reconstruído no mandato PSD sem qualquer programação que o aproximasse das pessoas e a construção neste segundo mandato do PS de uma verdadeira programação eclética, que tornou o Mercado de Santana um pilar incontornável da baixa de Leiria, ao lado da Praça.


4 . A Laura e Matilde têm actividades extra curriculares? 

As minhas filhas não têm actividades extracurriculares apenas porque são todas caras para o nosso orçamento familiar. Se possível teriam Natação - a Laurinha - e Yoga a Matilde. No entanto discordo do hábito de sobrecarregar crianças e jovens com mais de uma actividade extra. É preciso tempo para brincar, tempo para estar em família e também tempo para não fazer nada...


5. Educa a Laura e Matilde na esperança de serem cidadãs de pleno direito, capazes de ler o mundo de forma crítica e sobretudo educo-as para serem pessoas decentes.

6. A Laura é uma “menina perguntadora”. Tem sempre resposta para as questões dela? Quando não tem o que faz?

Muitas vezes não tenho respostas para a Laurinha. Às vezes minto descaradamente - como quando me perguntou se ficaria com ela para sempre - porque acredito que na infância o mundo deve ser o mais seguro e sólido possível. Terá todo o resto da vida para saber que o mundo é triste e injusto.
Outras vezes remeto a resposta para um dia que há-de vir e outras ainda sou sincera, como quando pergunta como foi que nasceu a primeira pessoa; digo-lhe que ainda ninguém sabe, mas que se ela estudar muito talvez venha a saber essa resposta um dia. Cada pergunta difícil exige uma resposta adequada. Não há receitas e também não sei se dou as melhores respostas. Tento, pelo menos...


7. Foi mentora da manifestação positiva pelo Parque do Avião, acha importante envolver as crianças desde de cedo na decisões e projectos da cidade?

Envolver as crianças nos projectos da cidade é "brincar aos crescidos" e brincar é a linguagem da aprendizagem. Para aprenderem que a cidade e as coisas públicas são nossas, são de todos, é preciso vivê-las, lutar por elas, aprender a estimá-las. É preciso também que as crianças aprendam que nem tudo o que os adultos fazem e dizem está certo, é preciso que aprendam a ler o mundo de forma crítica e a ter uma voz que um dia contará.


8. Perde a cabeça com… com o estado a que a Escola chegou em Portugal.


9. Ama quando… quando a magia acontece apesar da realidade.


10. Ser Mãe é… o melhor de tudo!


Obrigada Alexandra!

Mães de Leiria - Sílvia Louro Santos

13.5.14
Há dias li que melhor do que amar um filho... é amar dois. E a mamã de hoje já está na experiência de amar dois. Mãe de uma Alice de dois anos e meio (le terrible âge) e de um bebé menino ainda no aconchego da barriga. A Sílvia é uma mãe com muita pinta que nasceu em Leiria mas é em Lisboa que cria a sua arte, e não falo só das jóias, porque para criar um filho também é preciso muita arte ;) 

Apresenta cada um de vocês e identifica algumas das características/personalidade.
Somos 3 quase 4! Três neste mundo doido e um ainda no conforto da minha barriga. Começo pelo bebé, (sim! ainda não tem nome, mas já sabemos que é um menino) já tem uma energia maravilhosa, adora andar às cambalhotas na barriga da mamã depois do jantar. Este é o nosso momento a 4, quando eu me sento no sofá e o papá e a mana fazem festas na barriga, dão beijinhos, cantam… é delicioso! O mundo pára!
A Alice tem dois anos e meio e é doce, carinhosa, super espertalhona (é incrível como nos consegue dar a volta com uma pinta genial para conseguir os seus caprichos!), tem uma energia incrível, e uma boa disposição contagiante. É uma leoazinha do melhor, dona de uma teimosia quase indomável e de uma sede de ser a rainha do momento a toda a hora (alguém vai sofrer com a chegada do mano…). ADORA comer!
O Vasco é o pai brincalhão, carinhoso e exigente, não há cá grande margem para o disparate ou falta de educação, mas depois é ele que a faz soltar as maiores gargalhadas. E a mim também! Acho que acima de tudo foi isso que me conquistou: a sua boa disposição. Tem uma capacidade de trabalho fora de série, de um perfeccionismo enorme e uma teimosia aliada a um poder de argumentação invencível. É inteligente e ambicioso. Adora correr (ou running como está na moda agora) e ainda bem! É isso que o ajuda a limpar a cabeça e estar a 100% para a família.
Bem, agora eu… isto é sempre mais difícil falar sobre nós! Chamo-me Sílvia, sou a mãe. Sou perfeccionista (mas já fui mais, isto de ser mãe faz-nos apurar o sentido prático e despachado), sou extrovertida e, diz o Vasco, com uma capacidade de criar empatia com as pessoas invejável. Sou carinhosa, não gosto muito de ser contrariada (quem é que gosta?) mas não tenho o poder de argumentação, teimosia ou persistência que gostaria para levar tudo o que quero a bom porto. Mesmo assim lá vou conquistando os meus sonhos e nunca, nunca quero parar de sonhar. 

fotografia de Ricardo Graça


Como é o vosso dia a dia/rotina diária?
O Vasco tem o ritmo/stress da cidade grande, sair cedo, chegar tarde, trabalhar, trabalhar, trabalhar e no fim-de-semana dedicá-lo a tentar recuperar o tempo connosco.
As minhas manhãs e da Alice são normalmente mais tranquilas, há algum espaço para a brincadeira e tomamos o pequeno-almoço juntas sentadas à mesa, o que nos dias que correm me parece um grande privilégio. Deixo-a na escolinha por volta das 9h30 e organizo o meu dia entre tarefas para a casa e o meu trabalho, uma gestão nem sempre fácil, chego muitas vezes ao fim do dia com a sensação de que não fiz nada mas não parei um segundo. É muito fácil misturar os dois mundos quando se trabalha a partir de casa e ter a eterna frustração que não se consegue estar a 100% num deles.
Por volta das 17h vou buscar a Alice, vamos as duas ao pão e ao parque um bocadinho quando está bom tempo e depois começa a rotina do preparar jantar, dar banho, jantar por volta das 20h, lavar dentes, chichi, história e na caminha por volta das 21h30.


Como está a correr a gravidez? Diferente da gravidez da Alice? Sentes que estás mais preparada ou com mais receios?
Está a correr bem! Bastante diferente da Alice, com muito mais enjoos no início (imagina que tive mesmo receio que fossem dois tal a quantidade de enjoo de manhã à noite!) e sempre muito mais cansaço. Sim! Passar por uma gravidez com uma criança de 2 anos e meio cheia de energia é toda uma nova e esgotante aventura.


Que cuidados estás a ter?
Confesso que estou um bocadinho mais relaxada, do que na gravidez da Alice, em tudo menos na hidratação, isto porque a barriga já cresceu de forma assustadora e vai claramente ficar maior do que da Alice, portanto previno as estrias com quilos de creme de manhã e à noite. Na alimentação tento não ceder demasiado à gula mas há momentos difíceis… Tenho como objectivo não ultrapassar os 10 quilos que ganhei na gravidez da Alice, vamos lá ver… Ajudava se fizesse exercício, pensei inscrever-me na natação, mas deu-me a preguiça. Durante a 1ª gravidez fiz pilates e gostei imenso, para além de ser super relaxante ajudou-me bastante na prevenção de dores de costas.


A Alice já tem noção que vai ter um mano? Como reage?
Sim, já. Tem dois primos pequenos, um de 5 meses e outro de ano e meio, como acompanhou as tias grávidas acho que já tem noção do que acontece a seguir. Já demonstra alguns ciúmes, chama a atenção quando estamos a falar do bebé, mas por outro lado é suuuuper carinhosa e vem a toda a hora fazer festinhas ou dar beijinhos na minha barriga. Pede-me para levantar a camisola para poder mostrar os brinquedos ao mano (ahaha! Eu adoro esta!), pergunta se o bebé já acordou, já comeu ou como é que come, é muito curiosa.




Nos teus projectos profissionais a Alice e o futuro bebé são inspiração para o que fazes?
Sim, são! Quanto mais não sejam porque me tornam mais colorida e isso influencia tudo. Está claramente evidente na nova colecção da Si Atelier (joalharia contemporânea, (www.siateliershop.etsy.com) O que acontece é que durante a gravidez fico com uma vontade enorme de fazer o “enxoval” para o bebé. É como se enquanto estou dedicada àquele projecto de costura ou de tricot estou de alguma forma a construir laços que me ligam cada vez mais àquele pequenino ser “desconhecido” que cresce dentro de mim. E depois envolver os bebés em coisas feitas carinhosamente à mão é envolvê-los em amor! Daí a vontade de criar este meu novo projecto de tricot para bebés, SPOKIES – strongcolors for tough babies, (www.spokieshop.etsy.com) em parceria com a minha tia Celeste, a fada das agulhas. Quero aconchegar e colorir todos os bébés do mundo!


Quando vens a Leiria (distrito) onde costumas levar o Alice? De que sítios é que ela gosta mais? 
Em Leiria vamos à Praça Rodrigues Lobo aos domingos de manhã onde ela aproveita para fazer novos amiguinhos ou correr até se fartar com os primos, às vezes basta muito pouco para se divertirem, um bocadinho de rua, um espaço amplo e eles fazem a festa.
Também adora os concertos para bebés do Paulo Lameiro, o 1º que assistiu tinha cerca de 4 meses e foi assim um momento mágico.
No verão rumamos à praia, é a actividade preferida da Alice. Da zona de Leiria a que ela prefere é a praia das Paredes, claro! por causa do rio, onde chapinha até ficar roxa!


Perdes a cabeça com…Falta de educação e birras, pois claro!! É uma fase, eu sei… 

Amas quando…A Alice assim do nada me abraça e diz: “és a minha quida!”, derreto!!

Ser Mãe é…ter um coração muito maior do que conseguiria imaginar.


fotografia de Ricardo Graça

Obrigada Sílvia! 
O Little vai ficar a aguardar a chegada do baby. 
Beijinhos e tudo de bom no teu mundo colorido.